diego figueiredo - chuva no sertão                                                         Diego Figueiredo

O Brasil foi palco de uma conjunção lamentável de problemas e chegou – tomando emprestado um termo da crise hídrica – ao seu “volume morto” em 2015. Podemos escolher uma crise: política, econômica, na saúde, na gestão pública, educacional, ambiental ou de corrupção sistêmica em níveis inimagináveis. Todas eclodiram.

Neste contexto, após as últimas duas décadas embaladas pela maior estabilidade econômica e o processo de inclusão social, nossas ilusões de finalmente termos alcançado um patamar de desenvolvimento duradouro foram perdidas. Mas, pior, é que nossas esperanças tenham sido tão esgarçadas. Janelas e portas de oportunidades se abriram no cenário nacional e internacional e não soubemos aproveitá-las estrategicamente. Agora, sem termos tido os investimentos estruturais necessários – na educação, na infraestrutura, na ciência e tecnologia, na modernização da máquina pública – vemos a condição de potência emergente seriamente ameaçada. O B dos BRICS, alvo de muitas expectativas internacionais, passou à situação de economia gigante e frágil, sobre a qual agora pairam sérias desconfianças.

Ainda ecoam as palavras que ouvi há cerca de um mês de uma autoridade britânica, em uma reunião em Brasília, de que o pessimismo era algo contagioso e que externamente a nossa imagem não era tão negativa assim. A despeito dessas palavras de um outsider, que tentava levantar o moral de uma audiência majoritariamente brasileira, o fato é que vivemos um ano que representou um desafio imenso à nossa capacidade de acreditar que dias melhores virão.

Às vésperas de um novo ano do calendário, teremos que ser heróis da resistência cultural. Precisaremos continuar firmes fazendo a nossa parte como cidadãos, cobrando medidas e construindo soluções, para que um dia, quem sabe em um futuro não tão distante, volte a “chover” nesta terra, para o bem de nossos filhos e netos. Que Deus nos ajude e que tenhamos saúde, coragem e disposição para o novo. Feliz 2016!

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Christophe Simon

                                                         Christophe Simon

O mês de novembro vai ficar tristemente marcado pelo maior desastre ambiental do país, em toda a sua história. A barragem de rejeitos minerais da empresa Samarco, joint-venture da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, que estourou, inundando de lama tóxica toda a região de Mariana, em Minas Gerais, chegou ao Rio Doce e deixou um rastro de destruição humana, social, econômica e ambiental de proporções imensas.

Estima-se que até o momento foram 260 mil pessoas diretamente afetadas, 1.500 produtores rurais, dos quais 90% trabalham em regime de agricultura familiar. Vitimado pelo desastre, o Rio Doce, com 853 quilômetros de extensão espalhados por 222 municípios de Minas Gerais e o Espírito Santo, com uma população de mais de 3 milhões de habitantes que depende fortemente do rio para o abastecimento de água, se transformou em um mar de lama e rejeitos. De acordo com muitos ambientalistas, o rio foi morto.

Gabriela Bilo - Estadão

                                                     Gabriela Bilo – Estadão

Ecossistemas foram afetados e ainda não se sabe com precisão os impactos causados pela tragédia sobre os solos, a vegetação, as águas, a vida animal, com reflexos diretos na subsistência das populações atingidas.  E o ecossistema empreendedor da região? Continue lendo »

Em comemoração ao Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, em 5 de outubro, foi deflagrada pelo Sebrae uma campanha nacional bem interessante, o Movimento Compre do Pequeno Negócio, com o objetivo de incentivar e fortalecer os pequenos negócios no seu dia a dia.

Lembrei-me imediatamente de uma visita que fiz em 2013 a Durham, uma linda e pequena cidade no nordeste da Inglaterra, sede de uma universidade muito antiga e respeitada, quando ficamos conhecendo uma iniciativa, a Totally Locally (Totalmente Localmente).

Raissa Rossiter

Raissa Rossiter

Muitos eventos e diversas iniciativas, como ofertas sazonais e festivais, fazem parte do movimento Totally Locally, que tem um objetivo muito semelhante à campanha do Sebrae, porém com duas diferenças fundamentais. Continue lendo »

marcos vicentti

marcos vicentti

No Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, desejo homenagear os milhões de empreendedores dos pequenos negócios brasileiros. Com sua incrível capacidade de gerar empregos e contribuir para o desenvolvimento local, o segmento passou – para alegria de todos que, como eu, abraçaram essa causa há muitos anos – a ser alvo de políticas públicas diferenciadas. Acompanhando esse cenário de mudanças favoráveis, trabalhar com pequenos negócios e com empreendedorismo, uma atividade antes pouco compreendida pelas pessoas, ganhou uma maior visibilidade e adesão na sociedade.

As mulheres empreendedoras, em meio a um contexto mais favorável aos pequenos negócios, estão ocupando um espaço cada vez mais relevante. Já lideram a abertura de maior parte dos novos negócios no país, à frente de 52% dos empreendimentos com três anos ou menos.

Portanto, neste dia que marca muitas conquistas e avanços, quero reconhecer todos que acreditam, apoiam e lideram os pequenos negócios brasileiros na pessoa da empreendedora Kelly Katiane. Ela é cabeleireira, dona de um salão de beleza no Acre, e aparece na foto lavando o cabelo de uma cliente na canoa, em plena situação de calamidade pública por conta da enchente do rio Acre, em Rio Branco, em março passado. A história de Kelly Katiane ganhou notoriedade em matérias online com essa inusitada imagem que, por si só, mostra de forma eloquente como a capacidade empreendedora pode ir mais longe, diante de obstáculos e desafios.

Muito se fala da importância de empreendimentos inovadores, quase sempre tomando como referência o uso de tecnologias. A emblemática história de Kelly Katiane desmistifica essa noção, mostrando o potencial do empreendedorismo feminino, e que é possível, mesmo para um empreendimento tão pequeno, com tão poucos recursos financeiros, fazer inovação com baixos investimentos, porém com altas doses de coragem, criatividade, iniciativa, senso de oportunidade e ousadia. Quantas “Kelly Katianes” estarão fazendo a diferença em suas comunidades? Tenho convicção que muitas. Como poderemos ajudá-las a irem mais longe ainda?

plan.org.br

plan.org.br

Que notícia promissora! Duas adolescentes brasileiras, Irlane e Luiza, ambas de 17 anos, foram escolhidas por meio do Projeto Essa é a Minha Vez!, da ONG britânica Plan International no Brasil  (https://plan.org.br/node/1934), para representar as meninas brasileiras na Assembléia Geral da ONU, no mês de setembro.

Irlane (maranhense, de saia estampada, à direita na foto) e Luiza (carioca, de calça preta, à esquerda na foto) escreveram, com a participação de muitas outras meninas do país, a Declaração das Meninas do Brasil. Farão a apresentação dessas demandas e propostas aos líderes globais presentes à reunião da ONU. Elas estão aprendendo, na prática, como serem mais engajadas, propositivas e empoderadas. Esperam contribuir para o alcance dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável.

Sendo mãe de uma garota da mesma idade, que também luta pelo que sonha e acredita, fico imensamente feliz e esperançosa por ver histórias de meninas assumindo seu espaço, sua vez e sua voz. Há poucos anos, tivemos o contundente exemplo de Malala, ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz, que não se curvou à intolerância dos talibãs locais, arriscando a própria vida para lutar pelo direito à educação das jovens de sua província. Agora, no Brasil, testemunhamos exemplos como os de Irlane e Luiza. Nem tudo está perdido. É preciso mudar o curso da história de milhões de meninas, aqui no Brasil e globalmente. Só assim teremos novas gerações de mulheres realmente empoderadas, capazes de encarar os imensos desafios para uma sociedade mais respeitosa e com oportunidades iguais entre os gêneros.

Leia, na íntegra, a Declaração das Meninas do Brasil: Continue lendo »

Dia Mundial sem Carro

No Dia Mundial sem Carro 2015, imagino como seria ótimo se tivéssemos mais linhas do metrô por todo o Distrito Federal, incluindo Brasília, é claro! E mais ciclovias – mais seguras – para ciclistas pedalarem sem arriscar suas vidas no trânsito. Todos os dias seriam dias mundiais sem carro… Enquanto a gente sonha e busca transformar essa realidade, vou de ônibus.

conservação internacional

conservação internacional

Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, fortemente ameaçado pelo desmatamento de grandes extensões de terra, é um verdadeiro berçário de águas, coletando e distribuindo para as Regiões Centro-Sul, Nordeste, Pantanal e até partes da Amazônia. A sua localização central e elevação topográfica, por meio da preservação da vegetação nativa, permitirão que esse ecossistema funcione em equilíbrio.

A grande responsável pelo desmatamento do Cerrado é a atividade agropecuária, baseada no uso de pastagens sem manejo, na plantação de soja, eucalipto, cana-de-açúcar e algodão em grandes extensões de terra e com uso de agrotóxicos.

O uso econômico dos recursos naturais pode e precisa ser feito sem destruir o ecossistema do Cerrado, trazendo bem-estar humano e desenvolvimento mais sustentável. Povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares podem ter um lugar importante na sua conservação.

Vivo no Cerrado há quase vinte anos. Um lugar que aprendi a amar por sua beleza e diversidade naturais. Nesta data, em que se celebra este importante ecossistema – não só para os que moram na região, mas para todos os brasileiros – é um momento oportuno para refletir sobre as ameaças constantes que o Cerrado enfrenta e como nós, cidadãos, podemos atuar para mudar essa preocupante realidade.

raissa rossiter

                                                     raissa rossiter

Vivendo ainda o período da seca em Brasília, é muito bom ver as primeiras gotas de setembro na jabuticabeira de casa. É a natureza se renovando. Que esse elemento natural, cada vez mais escasso no planeta, seja cuidado, aproveitado e preservado. A nossa mudança de consciência precisa dar um salto. A começar pelos nossos hábitos mais simples do dia a dia.

Priscila Rossiter

Priscila Rossiter

Neste Dia da Amazônia, relembro as palavras com que encerrei meu relato aqui neste blog, sobre a minha primeira viagem realizada à floresta amazônica, em abril de 2014:

Ao ser tratada apenas como um “paraíso ecológico”, muito se tem mistificado sobre os encantos naturais da Amazônia, deixando de lado a construção de um projeto de futuro no qual as condições necessárias para que seus habitantes tenham uma vida decente, sustentável, como verdadeiros guardiões e protagonistas da floresta, possam ser viabilizadas.

Priscila Rossiter

Priscila Rossiter

Raissa Rossiter

Raissa Rossiter

De fato, o que mais me impressionou naquela viagem, em que pese toda a exuberante beleza da floresta Amazônica, foi a condição precária da população local, mergulhada em pobreza, isolamento e falta de condições sanitárias adequadas. Pude observar expressões distantes e melancólicas entre os anônimos amazônidas – crianças, jovens e idosos – que ficamos conhecendo.

Como se pode pensar o papel da Amazônia para o desenvolvimento sustentável sem equacionar o presente e o futuro com justiça e maior inclusão social e econômica para seus habitantes? Que aqueles que têm a responsabilidade pela gestão pública possam pensar a Amazônia a partir de – e para – sua gente.

Tomaz Silva/Agência Brasil

Tomaz Silva/Agência Brasil

Um evento importante acontece esta semana em São Paulo, inédito no Brasil: o Women Vendors Exhibition and Forum 2015 (WVEF). A boa notícia é que a iniciativa tem um objetivo mais ambicioso, de longo prazo. Pretende aumentar a participação de mulheres empreendedoras em cadeias globais de valor. Trata-se de um programa do International Trade Centre (ITC), entidade integrante do Sistema das Nações Unidas (ONU), que tem uma mulher como diretora executiva, Arancha González.

Informações do ITC indicam que, atualmente, as mulheres dirigem cerca de 10 milhões de micro e pequenas empresas em todo o mundo, segmento que em sua totalidade responde por aproximadamente 80% do total de empregos. Esses números por si só demonstram a importância de serem criadas políticas em favor das mulheres empreendedoras. Aqui no Brasil, segundo estudos do Sebrae, entre 2001 e 2011, o número de mulheres empreendedoras aumentou 21%, enquanto o número de homens empreendedores aumentou 10%.

Além de promover a aproximação e o fortalecimento das redes de mulheres empreendedoras de diversos países, interessadas em estabelecer relações comerciais, o evento culminará com a apresentação de um documento de chamada à ação de governos. Continue lendo »

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