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coletivo da cidade - 2

Coletivo da Cidade – Estrutural (arquivo pessoal)

Brasília faz aniversário. Nesta data festiva, de seus 57 anos, há muito que se comemorar. Nossa declaração de amor à cidade se inspira em sua exuberância urbanística e estética, sua riqueza cultural, na presença de um cenário verde por toda parte, que encanta e colore nossos olhos, dentre outros. Tudo isso é motivo para nosso orgulho.

Mas, é claro, ainda há muito o que se aspirar, diante das suas contradições, disparidades sociais e desafios, como grande metrópole em que se transformou. Por isso, quero celebrar a cidade a partir das cidadãs e cidadãos que a reinventam diariamente, que protagonizam a construção de novos laços de colaboração e de participação da sociedade civil. Meu registro, então, é para a força da construção social coletiva nos muitos territórios de Brasília, que está viva e precisa ser reconhecida e valorizada.

Brasília nasceu voltada para o futuro, para a concretização de sonhos. É preciso que o seu legado para as próximas gerações seja forjado a partir das suas diversidades e das resistências democráticas.

de-maos-dadasHá muito, o 8 de Março deixou de ser um dia de defesa de direitos da população do sexo feminino e se transformou numa data para tratar de questões sob perspectiva de gênero, englobando raças, cores, idades, credos, com deficiência, mulheres trans, mulheres lésbicas, enfim, todas. Mas a igualdade de gênero está longe de ser alcançada.

É injustificável que, no século XXI, as brasileiras apresentem geralmente nível de escolaridade maior que o dos homens e recebam 29% menos (IBGE-2010) ou sejam preteridas em cargos de chefia, mesmo com qualificação superior à do escolhido. Essa realidade não traduz o potencial da mulher brasileira, que ousa, cria e empreende.

As mulheres são, por exemplo, a maioria (54%) entre os mais de 730 microempreendedores que obtiveram quase R$ 10 milhões em microcrédito, concedido pelo Governo de Brasília neste ano.  Em cursos da Fábrica Social (construção civil, produção de alimentos e outros), 80% dos inscritos são mulheres.

A promoção da autonomia financeira é também porta de saída de situações de vulnerabilidade social. Infelizmente, mulheres ainda são alvo de crimes e abusos – às vezes, pelo simples fato de serem mulheres. Os agressores não se intimidam sequer com a severa Lei Maria da Penha. Na capital do país, pelo menos uma mulher é vítima de violência doméstica por hora, são mais de 1.100 por mês, 13 mil por ano. E por mês uma delas sofre feminicídio – quando a morte é causada por conta do gênero.

A mulher vítima de violência conta com uma rede de apoio no DF: os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceam), os Núcleos de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVDs), as Casas Abrigo, as unidades móveis e a Casa da Mulher Brasileira. E, a partir de abril, um projeto piloto garantirá a 100 mulheres sob medida protetiva judicial acionar um “botão” de segurança e serem atendidas com urgência.

Priorizar o atendimento a mulheres, inseri-las no mercado de trabalho, promover políticas que evitem a violência doméstica e o feminicídio são essenciais para construir uma sociedade igualitária.

(*) Publicado originalmente em 08/03/2017 em www.metropoles.com/ponto-de-vista/vamos-lutar-por-uma-rede-de-protecao-para-as-mulheres-do-df

Priscila Rossiter Sperança Such

                                                            Priscila Rossiter Sperança Such

Inaugurada há 56 anos, Brasília não se estagnou. Continua sendo (re) construída. E esta é a esperança que anima não só seus habitantes, mas todos os brasileiros. Considerada um lugar diferenciado, em termos de elevados índices de qualidade de vida, concentra, por outro lado, os maiores índices de desigualdade do país.

Palco central da combalida política nacional, vem se diversificando culturalmente e se tornando um espaço de celebração da diversidade e de manifestações democráticas, até aqui, na sua grande maioria, pacíficas.

Neste aniversário da capital do país, precisamos lutar pelo seu fortalecimento como um espaço aberto e acolhedor, inovador e democrático.  Continuemos a construí-la como uma cidade agradável para se ver, conviver e sonhar uma vida mais justa e sustentável.

Paulo Whitaker - Reuters

Paulo Whitaker – Reuters

Vivemos em um mundo de muros e fronteiras. Após a queda do Muro de Berlim, 27 outros muros e cercas foram erguidos ao redor do mundo. As fronteiras marcam os limites, mas também conectam diferentes regiões nos territórios, simbólica ou literalmente. Os muros os separam. Podemos atravessar fronteiras; ir e vir.

Os muros nos impedem de ver e perceber o outro lado. Eles nos “protegem”, mantêm preservados o “poder” de nossas crenças, nossa “cultura”. Entretanto, nos impedem de ter acesso a perspectivas e valores diferentes. E o que é pior, eles nos empobrecem; representam as diferenças como ameaças instransponíveis. Continue lendo »

priscila rossiter

                                                                       priscila rossiter

Finalmente, acabou o carnaval. O ano começa para valer. A economia, a política e, inevitavelmente, a situação de vida de grande parte dos brasileiros, estavam em compasso de espera. Parece incrível, mas é assim mesmo em nosso país.

Vamos encarar o ano. E, mais uma vez, nos agarrar na esperança de que conseguiremos ultrapassar os caminhos sombrios que ora atravessamos.

diego figueiredo - chuva no sertão                                                         Diego Figueiredo

O Brasil foi palco de uma conjunção lamentável de problemas e chegou – tomando emprestado um termo da crise hídrica – ao seu “volume morto” em 2015. Podemos escolher uma crise: política, econômica, na saúde, na gestão pública, educacional, ambiental ou de corrupção sistêmica em níveis inimagináveis. Todas eclodiram.

Neste contexto, após as últimas duas décadas embaladas pela maior estabilidade econômica e o processo de inclusão social, nossas ilusões de finalmente termos alcançado um patamar de desenvolvimento duradouro foram perdidas. Mas, pior, é que nossas esperanças tenham sido tão esgarçadas. Janelas e portas de oportunidades se abriram no cenário nacional e internacional e não soubemos aproveitá-las estrategicamente. Agora, sem termos tido os investimentos estruturais necessários – na educação, na infraestrutura, na ciência e tecnologia, na modernização da máquina pública – vemos a condição de potência emergente seriamente ameaçada. O B dos BRICS, alvo de muitas expectativas internacionais, passou à situação de economia gigante e frágil, sobre a qual agora pairam sérias desconfianças.

Ainda ecoam as palavras que ouvi há cerca de um mês de uma autoridade britânica, em uma reunião em Brasília, de que o pessimismo era algo contagioso e que externamente a nossa imagem não era tão negativa assim. A despeito dessas palavras de um outsider, que tentava levantar o moral de uma audiência majoritariamente brasileira, o fato é que vivemos um ano que representou um desafio imenso à nossa capacidade de acreditar que dias melhores virão.

Às vésperas de um novo ano do calendário, teremos que ser heróis da resistência cultural. Precisaremos continuar firmes fazendo a nossa parte como cidadãos, cobrando medidas e construindo soluções, para que um dia, quem sabe em um futuro não tão distante, volte a “chover” nesta terra, para o bem de nossos filhos e netos. Que Deus nos ajude e que tenhamos saúde, coragem e disposição para o novo. Feliz 2016!

Christophe Simon

                                                         Christophe Simon

O mês de novembro vai ficar tristemente marcado pelo maior desastre ambiental do país, em toda a sua história. A barragem de rejeitos minerais da empresa Samarco, joint-venture da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, que estourou, inundando de lama tóxica toda a região de Mariana, em Minas Gerais, chegou ao Rio Doce e deixou um rastro de destruição humana, social, econômica e ambiental de proporções imensas.

Estima-se que até o momento foram 260 mil pessoas diretamente afetadas, 1.500 produtores rurais, dos quais 90% trabalham em regime de agricultura familiar. Vitimado pelo desastre, o Rio Doce, com 853 quilômetros de extensão espalhados por 222 municípios de Minas Gerais e o Espírito Santo, com uma população de mais de 3 milhões de habitantes que depende fortemente do rio para o abastecimento de água, se transformou em um mar de lama e rejeitos. De acordo com muitos ambientalistas, o rio foi morto.

Gabriela Bilo - Estadão

                                                     Gabriela Bilo – Estadão

Ecossistemas foram afetados e ainda não se sabe com precisão os impactos causados pela tragédia sobre os solos, a vegetação, as águas, a vida animal, com reflexos diretos na subsistência das populações atingidas.  E o ecossistema empreendedor da região? Continue lendo »

raissa rossiter

raissa rossiter

Em tempos de Petrolão, com o país mergulhado em uma crise econômica e política que parece não ter mais fim, falar em legados da Copa do Mundo 2014 pode até soar como algo bem fora de época.  No entanto, acredito que tudo isso faça parte da corrupção sistêmica no país. Políticos, empresas e indivíduos se acumpliciando para a manutenção de um sistema, que opera por meio de uma máquina pública ineficiente e burocrática, para tirar vantagens e assaltar os recursos públicos.

É neste contexto que, recentemente, ao visitar Cuiabá em um final de semana, fiquei chocada ao me deparar com uma obra inacabada, após um ano do final da Copa. Planejada para ser parte do legado urbanístico e de infraestrutura na cidade, a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), licitada por R$ 1,477 bilhão, segunda obra de mobilidade urbana mais cara da Copa, está paralisada desde o ano passado por denúncias de fraudes e irregularidades, com um índice de execução física de cerca de 30% e com o Estado já tendo pago 72% do custo total do empreendimento!

raissa rossiter

raissa rossiter

Ao desembarcar em Cuiabá, lá estava a bonita “Estação Aeroporto”, pronta e vazia, no estacionamento do aeroporto, à espera do VLT.  O leito do VLT está abandonado e encoberto pelo mato, ao longo de toda a avenida que vai do aeroporto em direção ao centro da cidade. Uma vergonha.

Curiosa para ver se havia algo lá dentro, entrei e me deparei com um casal de jovens turistas estrangeiros, pedindo informações, em um português arranhado com espanhol, a uma senhora uniformizada, sentada em um banquinho. Ao perguntar qual era a atividade dela, me respondeu que passava o dia todo ali, tomando conta da estação para não ser invadida, mas que até gostava do lugar, por sem bem ventilado! Estação emblemática aquela… sinto muito, pelos amigos mato-grossenses, e por todos nós brasileiros.

Aderi, no mês do Meio Ambiente, à campanha da “Segunda Sem Carne”. Com esse pequeno gesto, resolvi reduzir minha pegada ambiental e dar mais um passo na caminhada em direção a atitudes mais sustentáveis e saudáveis.

Creio que não há nada mais vital, do ponto de vista da subsistência e saúde humanas, do que a nossa alimentação. Aquela máxima “você é aquilo que você come” tem sido ressignificada. O movimento Slow Food, surgido como um contraponto à cultura Fast Food, defende que sejamos não só consumidores de alimentos, mas co-produtores que conjuguem o prazer e a alimentação com consciência política, participação e responsabilidade.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a pecuária está entre os três mais significativos setores que causam impacto ambiental, desde a escala global até a local, sendo o setor responsável por  14,5% das emissões globais de gás de efeito estufa na atmosfera. Reduzir essas emissões é vital para evitar que as mudanças climáticas, algo que já afeta nosso planeta e as nossas vidas, se tornem ainda mais catastróficas.

Não podemos nos esquecer também dos animais, com os quais compartilhamos este habitat Terra, e de que estaremos, com gestos assim, contribuindo para maior respeito a eles e prevenindo crueldades praticadas em processos de captura, criação e abate.

As mudanças que sonhamos precisam começar por nós, não é mesmo?

priscila rossiter

priscila rossiter

Brasília, lugar de encontros e convergências. A partir de seus espaços, novos caminhos podem surgir. Que um futuro melhor esteja por vir nesta cidade sonhada e concretizada há 55 anos. Parabéns a todas e a todos que continuam acreditando e reconstruindo esse sonho.

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