Paulo Whitaker - Reuters

Paulo Whitaker – Reuters

Vivemos em um mundo de muros e fronteiras. Após a queda do Muro de Berlim, 27 outros muros e cercas foram erguidos ao redor do mundo. As fronteiras marcam os limites, mas também conectam diferentes regiões nos territórios, simbólica ou literalmente. Os muros os separam. Podemos atravessar fronteiras; ir e vir.

Os muros nos impedem de ver e perceber o outro lado. Eles nos “protegem”, mantêm preservados o “poder” de nossas crenças, nossa “cultura”. Entretanto, nos impedem de ter acesso a perspectivas e valores diferentes. E o que é pior, eles nos empobrecem; representam as diferenças como ameaças instransponíveis.

Compreendo, por fatores de segurança pública, em um momento grave da política brasileira, o porquê da construção do muro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Mas me inquieto como, para manter nossa (frágil) democracia e proteger os cidadãos que querem manifestar suas diferentes posições políticas, tenhamos chegado ao ponto de precisar erguê-lo.

Adriano Machado - Reuters

Adriano Machado – Reuters

Em um mundo multifacetado, complexo, precisamos construir mais espaços de encontro e diálogo, de escuta. A política brasileira se transformou em um ambiente de mentiras, de falta de ética, de luta belicosa e de segregação. Estamos vivendo em uma sociedade dividida, desigual, desorientada. Diante do imenso desafio de encontrar um rumo para mudar este país, é tarefa urgente, mas de longo prazo, desconstruir esses muros com um ativismo cidadão que nos permita transitar nas fronteiras, exercitando mais tolerância, mais respeito e menos violência.

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