Mulheres_Maria Objetiva_CC BY-SA

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Após uma década de realização do ranking global sobre paridade de gênero elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa um incômodo 85º.  lugar na edição 2015 (http://reports.weforum.org/global-gender-gap-report-2015/economies/#economy=BRA), entre os 145 países pesquisados. Estamos muito distantes dos melhores posicionados no ranking, como Islândia, Noruega, Finlândia, Suécia e Irlanda, que eliminaram mais de 80% das suas disparidades de gênero.

Na América Latina, ficamos atrás da Bolívia, Barbados, Chile, Cuba, Equador, Argentina, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, dentre outros países.

Na avaliação, os pontos fortes do País estão na educação e na saúde. De fato, o Brasil está entre os únicos 10 países pesquisados (Austria, Bahamas, Brasil, França, Finlândia, Guiana, Letônia, Lesoto, Nicarágua, e Namíbia) que eliminaram 100% de disparidades em ambas as áreas. Como pontos fracos, porém, estão a participação econômica e o empoderamento político das mulheres brasileiras.

Segundo dados do Sebrae, vem aumentando significativamente o número de mulheres empreendedoras no País. Cerca de 52% dos novos negócios com menos de três anos e meio de atividade têm mulheres à frente. Todavia, há ainda barreiras de ordem cultural e financeira a serem vencidas para que a sua participação na mundo econômico, quer seja como empreendedora ou profissional no mercado, se dê em bases mais similares às dos homens.

Na política, apenas 9,94% dos 513 parlamentares da Câmara dos Deputados são mulheres, embora a maioria dos eleitores brasileiros seja do sexo feminino. Já no Senado, a representação feminina sobe para 16%. Por esses indicadores, figuramos na 116ª posição no ranking mundial da União Interparlamentar (IPU, na sigla em inglês), órgão parceiro da ONU, que reúne dados sobre parlamentos de 190 países.

A conclusão mais imediata que podemos tirar é que todo o potencial feminino existente em nosso País ainda está subutilizado, considerando-se os altos níveis de escolaridade que alcançamos. Essa elevada condição educacional da mulher brasileira não vem sendo traduzida em aproveitamento de oportunidades econômicas, ocupação de espaços na política e no exercício de cargos de liderança nas empresas e instituições.

Segundo projeções do Fórum Econômico Global, no ritmo atual de mudanças que estão em curso, o mundo atingirá plenamente a paridade de gênero somente em 2133. Podemos esperar 117 anos? No Canadá, o Primeiro-Ministro Justin Trudeau, ao nomear em novembro passado, pela primeira vez na história, uma equipe ministerial composta de forma paritária por 15 mulheres e 15 homens, foi indagado sobre sua motivação para tal gesto. Ele, simplesmente, respondeu: porque estamos em 2015!

Diante desse quadro – com o qual não podemos nos acomodar, face ao seu impacto negativo sobre o desenvolvimento – é que a campanha deste ano para o Dia Internacional da Mulher focaliza a Paridade de Gênero nas esferas social, econômica, cultural e política. A Embaixadora da ONU Mulheres Brasil, atriz Camila Pitanga, se soma à campanha global por um “Planeta 50-50 em 2030” e propõe a hashtag #trocopresenteporigualdade: https://www.youtube.com/watch?v=tguS5JEGlsE

Que ações e medidas podemos tomar, na esfera pública e privada, para transformar a questão da paridade de gênero em mais que um discurso?

Mulheres precisam ocupar mais espaços, mais posições de liderança, na política e nas instituições, para exercer plenamente o seu potencial. Em quantidade e qualidade, sim. A sociedade brasileira precisa acordar para essa questão, que pode ser decisiva para a nossa transformação em um país mais justo, próspero e sustentável.

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