diego figueiredo - chuva no sertão                                                         Diego Figueiredo

O Brasil foi palco de uma conjunção lamentável de problemas e chegou – tomando emprestado um termo da crise hídrica – ao seu “volume morto” em 2015. Podemos escolher uma crise: política, econômica, na saúde, na gestão pública, educacional, ambiental ou de corrupção sistêmica em níveis inimagináveis. Todas eclodiram.

Neste contexto, após as últimas duas décadas embaladas pela maior estabilidade econômica e o processo de inclusão social, nossas ilusões de finalmente termos alcançado um patamar de desenvolvimento duradouro foram perdidas. Mas, pior, é que nossas esperanças tenham sido tão esgarçadas. Janelas e portas de oportunidades se abriram no cenário nacional e internacional e não soubemos aproveitá-las estrategicamente. Agora, sem termos tido os investimentos estruturais necessários – na educação, na infraestrutura, na ciência e tecnologia, na modernização da máquina pública – vemos a condição de potência emergente seriamente ameaçada. O B dos BRICS, alvo de muitas expectativas internacionais, passou à situação de economia gigante e frágil, sobre a qual agora pairam sérias desconfianças.

Ainda ecoam as palavras que ouvi há cerca de um mês de uma autoridade britânica, em uma reunião em Brasília, de que o pessimismo era algo contagioso e que externamente a nossa imagem não era tão negativa assim. A despeito dessas palavras de um outsider, que tentava levantar o moral de uma audiência majoritariamente brasileira, o fato é que vivemos um ano que representou um desafio imenso à nossa capacidade de acreditar que dias melhores virão.

Às vésperas de um novo ano do calendário, teremos que ser heróis da resistência cultural. Precisaremos continuar firmes fazendo a nossa parte como cidadãos, cobrando medidas e construindo soluções, para que um dia, quem sabe em um futuro não tão distante, volte a “chover” nesta terra, para o bem de nossos filhos e netos. Que Deus nos ajude e que tenhamos saúde, coragem e disposição para o novo. Feliz 2016!

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