raissa rossiter

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Em tempos de Petrolão, com o país mergulhado em uma crise econômica e política que parece não ter mais fim, falar em legados da Copa do Mundo 2014 pode até soar como algo bem fora de época.  No entanto, acredito que tudo isso faça parte da corrupção sistêmica no país. Políticos, empresas e indivíduos se acumpliciando para a manutenção de um sistema, que opera por meio de uma máquina pública ineficiente e burocrática, para tirar vantagens e assaltar os recursos públicos.

É neste contexto que, recentemente, ao visitar Cuiabá em um final de semana, fiquei chocada ao me deparar com uma obra inacabada, após um ano do final da Copa. Planejada para ser parte do legado urbanístico e de infraestrutura na cidade, a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), licitada por R$ 1,477 bilhão, segunda obra de mobilidade urbana mais cara da Copa, está paralisada desde o ano passado por denúncias de fraudes e irregularidades, com um índice de execução física de cerca de 30% e com o Estado já tendo pago 72% do custo total do empreendimento!

raissa rossiter

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Ao desembarcar em Cuiabá, lá estava a bonita “Estação Aeroporto”, pronta e vazia, no estacionamento do aeroporto, à espera do VLT.  O leito do VLT está abandonado e encoberto pelo mato, ao longo de toda a avenida que vai do aeroporto em direção ao centro da cidade. Uma vergonha.

Curiosa para ver se havia algo lá dentro, entrei e me deparei com um casal de jovens turistas estrangeiros, pedindo informações, em um português arranhado com espanhol, a uma senhora uniformizada, sentada em um banquinho. Ao perguntar qual era a atividade dela, me respondeu que passava o dia todo ali, tomando conta da estação para não ser invadida, mas que até gostava do lugar, por sem bem ventilado! Estação emblemática aquela… sinto muito, pelos amigos mato-grossenses, e por todos nós brasileiros.

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