circular economy - 2

Um conceito bastante recente, que articula e integra ideias de várias correntes de pensamento, oferecendo um novo modelo, regenerativo, para a sociedade: a economia circular. Pode-se dizer que a economia circular promove uma revolução em direção a um futuro sustentável.

Embora ainda utilize ações de reciclagem, a lógica circular é muito mais que isso, pois se ancora em inovação radical para a reinvenção de processos econômicos, desde a sua origem. Há a ideia “do berço ao berço”, do livro do arquiteto americano, William McDonough, e do químico alemão, Michael Braungart (Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things), ao invés do paradigma vigente “do berço ao túmulo”, propondo um sistema circular de produção, que não gere resíduos. Braungart introduz a noção de upcicle, isto é, criar produtos que melhorem o planeta, que o deixem mais limpo, e afirma que resíduos são na realidade falhas do processo de design.

A proposta da economia circular é romper com o modo linear de apropriação e conversão de recursos naturais em bens e serviços, baseados em “extrair-fabricar-usar-descartar” recursos cada vez mais escassos, fazendo a transição para um modo circular, em que intencionalmente se busca reincorporar os materiais aos ciclos produtivos ou biológicos, visando à sua renovabilidade.

A economia circular está baseada em alguns princípios:

Eliminar o desperdício, não apenas reduzi-lo;

Priorizar a modularidade, versatilidade e adaptabilidade, como características importantes em sistemas diversos, com muitas conexões e escalas, para fortalecer a sua resiliência;

Usar energia de fontes renováveis;

Pensar sistêmicamente os contextos ambientais e sociais, que são interdependentes, não-lineares e requerem maior adaptação e resiliência a situações de mudança constante;

Pensar em “cascatas”: a criação de valor reside na oportunidade de extrair valor adicional de produtos e materiais construindo novas aplicações para os mesmos.

Essa estratégia de transformação vem sendo amplamente discutida e implementada, mediante a construção de uma agenda com políticas públicas, na União Européia. Cem membros, dentre eles, universidades, institutos de pesquisa, governos de países e empresas, se associaram, tendo como hub a Fundação Ellen MacArthur, entidade britânica sem fins lucrativos, líder global no tema, para implantarem projetos em suas áreas de atuação que viabilizem essa transformação.

Entretanto, este debate no Brasil ainda é incipiente. Situações que requerem mudanças urgentes não faltam. Oportunidades existem, também. Apenas para citarmos uma situação concreta, a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda é um grande desafio e está distante de ser uma realidade. Por exemplo, segundo a Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais – ANEAM, cerca de 50% dos municípios brasileiros ainda descartam resíduos em lixões. Essa situação causa problemas graves, ambientais e sociais, e coloca em risco a saúde de centenas de milhares de pessoas que trabalham como catadores nesses locais.

Os princípios da economia circular poderiam, sem dúvida, orientar as ações de gestores públicos e privados brasileiros. Porém, falta senso de urgência. Infelizmente, ainda estamos olhando para trás nessas questões, investindo em um modelo econômico calcado no uso extrativista inconsequente, consumista e insustentável de nossos recursos.

Já em outros países, como Reino Unido, China, dentre muitos outros, a parceria entre atores da esfera pública e privada caminha de forma célere e consistente. Na China, por exemplo, uma lei foi implantada em janeiro de 2009, proclamando a economia circular como um modelo econômico diferente e central para o seu desenvolvimento. Pesquisa realizada em 2010, pelo Programa Waste & Resources Action (WRAP), estimava que 20% da economia britânica já operava em modo circular. E a meta, até 2020, é que chegue até 27%. A União Européia, por sua vez, espera reciclar 70% dos resíduos urbanos em 15 anos (Fonte: http://www.profresiduo.com/).

Muitos países e instituições já se deram conta que, para transformar o futuro, é preciso começar as mudanças estruturais o quanto antes. Ou será tarde demais, em termos ambientais, sociais e econômicos.

Para saber mais sobre economia circular:

http://www.ellenmacarthurfoundation.org/

http://www.theguardian.com/sustainable-business/series/circular-economy

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