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Água, recurso essencial para a vida. No Dia Mundial da Água, vale refletir sobre o seu uso mais sustentável. A crise hídrica, por um lado, e as enchentes destruidoras, por outro, só demonstram a forma reativa como a gestão pública no país – federal, estadual e municipal – tem enfrentado questões climáticas, quase sempre com ideias e ações emergenciais para a solução dos problemas. Mais do que escassa, a água é um recurso natural socializado de maneira desigual em todo o planeta. Esse quadro vem causando muitos conflitos em torno do seu acesso, uso e distribuição.

No Brasil, responsável sozinho por 12% da água doce superficial do planeta, a desigualdade ainda é grande em termos do acesso da população aos serviços básicos de água tratada, coleta e tratamento de esgotos, fundamentais, assegurando saúde, dignidade e plena cidadania às pessoas. Um estudo divulgado em 2014 com o ranking de saneamento dos 100 maiores municípios no país, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, mostra um quadro de perdas físicas de água tratada, quer seja por problemas técnicos ou ineficiência de gestão, em particular nas regiões norte e nordeste. A maioria desses municípios investe menos de 20% do que arrecadam com serviços de água e esgoto. Ao mesmo tempo, a coleta de esgotos chega a menos de 47% da população brasileira.

Saiba mais: http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estudos/ranking/relatorio-completo-2014.pdf

Aqui no Distrito Federal, local em que uma grande parte da população tem o privilégio do acesso de qualidade à água, um aspecto importante é refletir sobre o impacto que nossos padrões de consumo têm sobre a sua preservação sustentável. Sabe-se que o consumo doméstico ocupa apenas o terceiro lugar no uso da água no mundo. A agricultura, seguida pela indústria, encontram-se à frente como atividades usuárias.

Portanto, o conceito de pegada hídrica criado pela organização não governamental Water Footprint Network (http://www.pegadahidrica.org/index.php?page=files/home) – quanto é o uso direto e indireto de água nos produtos e serviços que consumimos – pode ajudar a repensar o nosso consumo, para além do uso doméstico.

Para se ter uma ideia do que significa a pegada hídrica, a produção de um quilo de carne bovina demanda 15 mil litros de água. Assim, o que comemos, vestimos ou os serviços que utilizamos como indivíduos, comunidades e empresas, ao longo de suas cadeias produtivas, podem ter uma maior ou menor pegada hídrica. O Programa Água Brasil, parceria do Banco do Brasil com a WWF-Brasil, Agência Nacional de Águas e Fundação Banco do Brasil, lançou o estudo “Pegada Hídrica das Bacias Hidrográficas”, em dezembro de 2014, sobre o uso dos recursos hídricos em atividades econômicas relevantes de sete bacias hidrográficas no Brasil, dentre elas, a de Ribeirão Pipiripau, no Distrito Federal (http://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/publicacao_pegada_hidrica_bacias_agua_brasil_2.pdf)

É preciso levar em conta os resultados de um estudo realizado pela Agência Nacional de Águas (ANA, 2010), o “Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água”, que situa Brasília no grupo de municípios brasileiros que apresentam uma situação inadequada no que se refere à disponibilidade hídrica, considerando o atendimento às demandas da crescente população urbana. Alguns especialistas projetam um cenário de falta do recurso no DF a partir de 2018. Preocupante.

Quão sustentável é a pegada hídrica do que é produzido e consumido localmente no Distrito Federal? Uma questão relevante cuja resposta começa a partir de cada um de nós, enquanto consumidores e corresponsáveis. Requer também maior conscientização e transparência de empresas e produtores. Finalmente, mas não menos importante, a avaliação da pegada hídrica pode orientar a formulação de políticas e a implantação de mecanismos mais consistentes para o incentivo e regulação do uso mais sustentável da água. Nesse sentido, os responsáveis pela gestão dos recursos hídricos do GDF precisam estar atentos para a definição estratégica dos rumos  a serem tomados nos próximos anos.

Manual de Avaliação da Pegada Hídrica: http://www.waterfootprint.org/downloads/ManualDeAvaliacaoDaPegadaHidrica.pdf

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