raissa rossiter

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Não fiz uma mera viagem turística, ao visitar a Amazônia, em abril passado. Senti-me, muito mais, cumprindo um dever de casa, há muito devido a mim mesma, como brasileira. Vivi uma experiência inesquecível.

Mergulhei na imensidão do “Brasil profundo”. Superlativa – maior floresta tropical, o rio mais extenso do mundo, o Amazonas, maior biodiversidade do planeta, dentre tantos outros elementos que demonstram a sua riqueza ambiental – a Amazônia requer, no entanto, um olhar bem mais atento.

A partir desse olhar será revelada não só toda a sua grandiosidade, mas a sua fragilidade também. Há sinais de ambas as coisas por toda parte. A começar por Manaus, porta de entrada para a floresta. Para tristeza, no local onde se pegam os barcos para iniciar a jornada rumo à floresta, havia lixo a céu aberto, na água do rio, recepcionando os que fazem a travessia cotidiana ou, como meu grupo, esporadicamente. Que contradição!

raissa rossiter

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Apesar de todo o seu caráter exótico e turístico, que podem ser explorados em seu potencial econômico, a Amazônia não pode ser apenas uma vitrine ou uma fonte para exploração econômica extrativa e devastação ambiental. É preciso que o Brasil que tem recursos vá ao encontro do Brasil amazônico, com políticas direcionadas de educação, saúde, habitação, inclusão econômica e de manejo e preservação dos recursos naturais. De tudo que vivenciei, o que achei mais distante não foi o percurso até lá, mas, sim, a condição dos cidadãos que lá vivem. Lado a lado com a atividade turística convivem o abandono, a resignação e condições de vida precárias. Gente com dificuldade para sobreviver.

Portfólio-24

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Ao ser tratada apenas como um “paraíso ecológico”, muito se tem mistificado sobre os encantos naturais da Amazônia, deixando de lado a construção de um projeto de futuro no qual as condições necessárias para que seus habitantes tenham uma vida decente, sustentável, como verdadeiros guardiões e protagonistas da floresta, possam ser viabilizadas.

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