ronaldo de oliveira - manifestações 17 junho 2013

ronaldo de oliveira

Como uma faísca que rapidamente se alastra e incendeia, protestos eclodiram de forma inesperada e vindos de várias direções em capitais do país.

Aos poucos, foram se juntando aos jovens conectados outros grupos de gente mais madura, aposentados, famílias. A população foi às ruas, sim, na sua maior parte em manifestações pacíficas.

Escândalos políticos que se diluíram em impunidade, corrupção na gestão pública, desmonte de políticas para preservação de nosso patrimônio ambiental, saúde e educação de baixa qualidade, mobilidade urbana precária, violência e indiferença de gestores públicos diante das demandas e necessidades de uma sociedade cada vez mais conectada e cética. Esse amálgama produziu a nossa versão local da Praça Taksim, do Occupy Wall Street, da Primavera Árabe, com forte uso das mídias sociais para convocar e mobilizar. Não dá mais para dizer que é apenas “coisa das elites”. Essa explicação ficou precária diante da escala e diversidade do movimento, sem apropriação partidária e difuso.

Um artigo clássico do sociólogo Mark Granovetter sobre o papel das redes nas relações econômicas e sociais, fala da “força dos laços fracos”, porque eles permitem a fluência de ideias e permitem contatos, em um processo multilateral, entre vários atores aparentemente desconectados ou mais distantes das redes. Essa teoria parece explicar um pouco o que está acontecendo em todo o país.

Há uma nova dinâmica social, política e cultural aflorando. Os espaços vazios estão sendo ocupados. Mesmo sem bandeiras articuladas para o futuro, os cidadãos começam a expressar o que não querem mais para o seu presente. “O Brasil acordou”, como se expressou indignada uma jovem, dentre os milhares de manifestantes em todo o país. A falência da democracia representativa vem sendo lentamente delineada ao longo das últimas décadas. É a democracia participativa ganhando impulso.

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