Uma das coisas que mais me impressionou em uma recente estada em Londres, sendo a maior área urbana da Europa, foi como a bicicleta está incorporada à vida local. As bicicletas estão nas ruas, nas calçadas, nos metrôs, nos parques, dirigidas por turistas, executivos, jovens, pessoas mais velhas, enfim, estão em toda parte e conduzidas por todo tipo de pessoas, em suas circunstâncias diárias.

raissa rossiter

Não se trata de algo apenas pontual, para esportistas ou aficionados. É algo introjetado na comunidade.

Isso não é por acaso. As vias de transporte, lojas e lugares públicos estão devidamente estruturados, com base em uma política e estratégia local, para permitir que o cliclista seja respeitado e se locomova de forma segura, confortável e estacione com facilidade.

raissa rossiter

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Desde 2010, o órgão governamental Transport for London, responsável pelo sistema de transporte na capital, criou, em parceria com um banco, o Barclays Hire Cycle Scheme: http://www.london.gov.uk/priorities/transport/cycling-revolution.

Hoje são mais de 8.000 bicicletas disponíveis para aluguel em 570 estações. Além do esquema para pequenos percursos, dentro da cidade, estão sendo implantadas as Superhighways de bicicletas, com rotas de áreas metropolitanas mais distantes até o centro de Londres.

Para orientar o cidadão a se tornar um ciclista habilitado, sem nenhum custo, é possível requisitar ao órgão municipal, pelo próprio site, um treinamento que atende às normas da organização nacional de ciclistas do Reino Unido, a CTC – The UK´s National Cyclist Organisation: http://www.ctc.org.uk/DesktopDefault.aspx?TabID=4275

Um projeto similar ao de Londres surgiu em 2011 no Rio, conduzido pela Prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com o Itaú, chamado de Bike Rio. Segundo informações disponíveis no site oficial, conta com 600 bicicletas em 60 estações: http://www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp.

Mais recentemente, foi a vez da Prefeitura de São Paulo inaugurar o Bike Sampa, também em parceria com o mesmo banco: http://www.mobilicidade.com.br/bikesampa.asp

Ainda não experimentei as iniciativas do Rio ou de São Paulo, mas posso observar que ainda são muito tímidos e escassos os projetos de mobilidade focados em ciclismo em nosso país. Grandes capitais brasileiras poderiam ter esquemas bem estruturados, que encorajem mais ciclismo, como alternativa de transporte não motorizado, e reduzam a dependência do transporte em veículos privados ou públicos.

A bicicleta, como meio de transporte, é quase imbatível no que diz respeito à sustentabilidade ambiental, social e econômica. É mais igualitária, boa para o planeta e para a saúde. Necessário se faz, entretanto, que existam estratégias e políticas bem montadas para suportar os processos de mudança necessários. Aí sim, a adesão da comunidade pode ocorrer.

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