larry limnidis

A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece a partir da semana que vem no Rio de Janeiro, provocou em mim sentimentos variados ao longo dos últimos meses. 

Durante algum tempo vivi um estado de excitação quase “juvenil”. Como não ter expectativas elevadas diante de um evento em que a comunidade internacional se encontra para discutir o futuro, os novos e emergentes desafios globais e seus compromissos políticos com o desenvolvimento sustentável?

No entanto, aos poucos, a excitação foi dando lugar à frustração e ao ceticismo.

Em paralelo à discussão sobre os temas da agenda estratégica da Rio + 20, o que foi possível ver – com um mundo em sucessivas crises, que demonstram o cansaço do paradigma vigente do crescimento econômico insustentável, e cujas consequências ainda não se sabe ao certo aonde vão nos levar – foram sinais de descompasso entre essa agenda e a implementação de medidas consistentes pelos países para assegurar o progresso pretendido.  

O exemplo mais eloquente dessa contradição, no Brasil, foi a aprovação das mudanças no Código Florestal, com anistias para desmatadores e redução de áreas de proteção das florestas. O cuidado com a vida no planeta requer pressa, mas o compasso para adoção de medidas concretas pelos governos é lento e sofre pressões. Não por falta de estudos, evidências e indicadores científicos.

Agora, com a aproximação do evento, refiz minha avaliação sobre as possibilidades da Rio + 20. Estou otimista de novo. Por que?

Olhando para o caminho trilhado desde a Eco 92, percebo a dimensão e a força, cada vez maiores, da mobilização da sociedade civil, das organizações não-governamentais, dos think-tanks, de empreendedores e empresas – das menores às grandes – em torno da agenda de ações para a mudança. Desde as mais amplas e robustas ações de empresas, entidades e movimentos sociais organizados, às que ficam no terreno individual, das pequenas atitudes diárias inspiradoras.

Paralelas ao evento oficial, é animador observar a pluralidade de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável, tais como: a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, o Lançamento da Rede Brasileira da Carta da Terra, o TEDx RIO+20, o Green Nation Fest, o Simpósio Fair Ideas, do Think Tank Internacional IIED, com a PUC Rio, o Fórum de Líderes Mulheres – Igualdade de Gênero, Empoderamento da Mulher e Desenvolvimento Sustentável, a 1ª Conferência FIB Rio 2012 – Felicidade: novos indicadores para o desenvolvimento, dentre tantas.

Não, a Rio + 20 não é mainstream apenas. A sociedade civil será a sua grande protagonista. E é a partir dela que avançarão as mudanças, inclusive nas políticas públicas. Como diz Caetano Veloso: “É incrível a força que as coisas parecem ter, quando elas precisam acontecer”.

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