fonte: jornal o observador

A população do Acre sofre severamente com a enchente do rio Acre, ocorrida nos últimos dias. Estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham sido atingidas em todos os 22 municípios do estado. 95% da área urbana está debaixo d’água. A “alagaçãozinha” do rio Acre, que acontece quase todo ano, desta vez assumiu proporções mais graves.

São desastres climáticos como este, recorrentes no país, que nos levam a refletir sobre o que poderíamos estar fazendo, enquanto sociedade civil, instituições e governo, além da importante ajuda humanitária.

O problema está ocorrendo neste momento no Acre, mas podia acontecer em qualquer outra parte do Brasil, assim como já vimos ocorrer em Alagoas, Pernambuco, Região Serrana, São Paulo, Minas… Um estudo conduzido pelo Dr. Steve Jennings e John Magrath, da Oxfam, ONG humanitária britânica, a partir de dados coletados em 140 países, sinaliza que desastres ligados ao clima, em particular relacionados a enchentes e tempestades, cresceram significativamente nas três últimas décadas e se intensificarão no planeta (http://policy-practice.oxfam.org.uk/publications/what-happened-to-the-seasons-changing-seasonality-may-be-one-of-the-major-impac-112501).

Em todos os desastres climáticos dos últimos anos, a maior parcela afetada da população se mostra vulnerável, principalmente, do ponto de vista social – os mais pobres – e de gênero – as mulheres. Entre as atividades econômicas, é a pequena agricultura a parte mais afetada. São essas pessoas que estão convivendo “cara a cara” com o perigo ambiental e sofrendo, de maneira mais drástica, as suas consequências.

Esses acontecimentos climáticos “imprevisíveis” requerem, conclui o estudo da Oxfam, investimentos crescentes de tempo, energia e recursos de maneira a se dimensionar os momentos exatos dos problemas e as medidas preventivas necessárias. Sobretudo, é preciso construir capacidade local nas comunidades para lidar com essas situações, ao invés de apenas enviar recursos financeiros, muitas vezes mal administrados, e experts para ajuda pontual nos momentos de crise.

Neste momento, só nos cabe apoiar com solidariedade: Campanha Acre Solidário (doações para os atingidos), Banco do Brasil, ag. 0071-X, conta-corrente 100.000-4, CNPJ 14.346.589/0001-99. Mas, para construir um futuro diferente, precisaremos ir muito além da ajuda humanitária.

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