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Em plena Conferência do Clima, em Durban, na África do Sul, e a menos de um ano da Conferência Rio+20, alguns estudos recentes mostram uma tendência preocupante com relação à questão ambiental no Brasil. É importante ressaltar que são trabalhos feitos por instituições independentes e reconhecidas nacional e internacionalmente.

Em um dos estudos, feito pela Maplecroft, do Reino Unido, mostra que o Brasil figura em sexta posição em um ranking dos dez países que são os maiores emissores de carbono no planeta. São eles: China (1º.), Estados Unidos (2º.), Índia (3º.), Rússia (4º.), Japão (5º.), Brasil (6º.), Alemanha (7º.), Canadá (8º.), México (9º.) e Irã (10º.). Juntos, respondem por dois terços das emissões do planeta. Essas emissões são as que contribuem para o aquecimento global porque destroem a camada de ozônio da Terra.

O outro estudo (Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados), feito pela Proforest, do Reino Unido, e Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, revela que no quesito devastação de florestas, nós estamos em primeiro lugar entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

De acordo com o estudo, o Brasil reduziu nos últimos sessenta anos de 76% para 56% sua cobertura florestal, enquanto que os demais países já estão fazendo seu dever de casa e se encontram no caminho de volta no processo de destruição. Se não, vejamos: a Rússia aumentou a cobertura florestal em cerca de 15% nas últimas seis décadas, enquanto a China e a Índia, respectivamente, ampliaram a cobertura das matas de 10% para 22% e 22% para 23%.

Os estudos mostram questões que se correlacionam – emissões de carbono e desmatamento – e que estão associadas ao nosso modelo de crescimento que insiste em tratar esses problemas como preocupações meramente temáticas de “ambientalistas”.

Acredito que esses números revelam a fragilidade do Brasil como aspirante a potência ambiental no século 21. Apesar de dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicarem uma redução de 11,7% no nível de desmatamento, na comparação 2010 X 2011, o volume da devastação é enorme e sacrifica nossa riqueza natural. Sem falar que a reversão desses indicadores requerem anos, se não décadas, de um grande esforço de articulação de instrumentos de incentivo e políticas públicas. Seria muito melhor – e mais eficiente – começarmos a trilhar o caminho de volta já.

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