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Uma atriz norte-americana, uma indígena guatemalteca, ganhadora do Nobel da Paz de 1992, e uma política da Região Amazônica brasileira. O que Daryl Hannah, Rigoberta Menchú e Marina Silva têm em comum? O engajamento em causas por um mundo melhor.  As três participaram do II Fórum Global de Sustentabilidade SWU, que aconteceu durante o Festival SWU, de 12 a 14 de novembro, em Paulínea, São Paulo.

O Festival SWU (Starts With You – Começa Com Você) é mais que um evento de música. É um movimento que se propõe a usar a arte para mobilizar jovens e toda a sociedade para a causa da sustentabilidade, mas de uma forma muito interessante: trazendo a questão para a esfera individual, com um repensar das atitudes, dos posicionamentos e das escolhas de cada um em nosso dia-a-dia.

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E esse mundo em que vivemos requer mudanças urgentes. E começa com cada um de nós, pela não conformação com o que julgamos que há de errado ao nosso redor.

Refletir sobre um mundo mais sustentável não precisa ser – necessariamente – de uma forma “quadrada” ou em torno dos chavões que já estão começando a se proliferar sobre o tema.

Parece que ultimamente ficou politicamente correto falar em “sustentabilidade”. Mas o risco que se tem é esvaziar a discussão, descontextualizá-la, abstraindo dos problemas e desafios que enfrentamos neste momento no mundo e, é claro, em nosso país. 

Não foi isso que a participação dessas três mulheres no SWU mostrou.

Daryl criticou as tentativas de mudanças no Código Florestal brasileiro. Afirma que soluções poderiam ser criadas de forma descentralizada para produção de energia renovável, em menor escala e com muito menor impacto social e ambiental. A contrução de Belo Monte, no Rio Xingu, Pará, vem sendo alvo do protesto das populações indígenas locais, de ambientalistas e da sociedade civil em geral.

Rigoberta afirmou que a construção da Usina de Belo Monte não afeta apenas as populações indígenas, mas toda a humanidade. Segundo ela, a obra representa “uma relação comercial que se impõe acima da vida racional da natureza”.

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Marina, reconhecida internacionalmente como uma liderança em prol do desenvolvimento sustentável, sinalizou que a crise ambiental que vivemos requer um senso de urgência muito maior. Entretanto, alertou que vivemos um momento imperativo do planeta e que temos que trabalhar com paradoxos. Em minha leitura: não é mais “ou”, e sim “e”. 

Marina afirma que precisamos encarar as diversas crises – econômica, social, política, ambiental –  de maneira conjunta, não fragmentada. Ela tem sido uma voz sempre presente no alerta sobre os retrocessos que o novo Código Florestal representa para o país. Também não se calou sobre Belo Monte, um projeto altamente questionável  pela sua viabilidade ambiental e que mostra pouca transparência em sua condução.

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