A Caminho do Trabalho - Dia Mundial sem Carro

raissa rossiter

Desde a semana passada, ficaram “martelando” em minha cabeça – no bom sentido – as palavras que ouvi em uma entrevista de rádio dada pela senadora Lúcia Vânia sobre a criação da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), projeto de lei aprovado sem emendas e que segue agora para sanção presidencial.
 

De forma muito clara, a entrevistada explicou duas diretrizes fundamentais da nova política: a precedência do transporte não motorizado sobre o motorizado e do transporte coletivo sobre o individual. Gostei do que ouvi. Simples mas, ao mesmo tempo, complexo. Transformar essas diretrizes em mudanças visíveis e impactantes na qualidade de vida das pessoas e do ambiente nas cidades brasileiras será um dos desafios mais críticos desta década, em minha opinião. Mas como podemos mudar o curso dos graves problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, principalmente nos grandes centros urbanos?

A frota brasileira de carros particulares chegou à marca de 68.548.151 milhões, o que representa um crescimento em torno de 115% desde o ano de 2001. Vivemos a cultura do automóvel. No imaginário popular, muito bem trabalhado no mercado publicitário, “todo brasileiro é apaixonado por carro”. Já ouviu esta frase antes?

Provocada por essas inquietações, resolvi fazer algo pessoal para aderir ao Dia Mundial sem Carro, celebrado na quinta-feira, 22 de setembro. A data é parte de um movimento que a cada ano ganha mais adesões em todo o mundo em prol de meios de transporte mais sustentáveis. Resolvi fazer a jornada, que diariamente percorro em meu carro particular, de transporte público coletivo.

raissa rossiter

O único transporte coletivo disponível no bairro onde resido em Brasília é o ônibus. Num percurso que durou 1 hora de casa até o trabalho, pegando dois onibus diferentes, que rotineiramente dura 20 minutos de carro, a experiência me rendeu duas reflexões.

raissa rossiter

Primeiro, na esfera coletiva, há muito que se fazer. E não haverá solução única. Para superar o caos urbano e os problemas crônicos de mobilidade nas grandes cidades – e Brasília tem sido um exemplo disso – será necessário envolvimento de um conjunto amplo de atores da sociedade. No âmbito governamental, a definição de políticas públicas não só nacionais – materializadas na PNMU – como estaduais e municipais precisam estimular o investimento em opções multimodais. As instituições e empresas também podem fazer a sua parte. O Ministério das Cidades, por exemplo, já disponibiliza um aplicativo de carona solidária a ser utilizado por funcionários do ministério.

chegando ao trabalho no dia mundial sem carro

Segundo, na esfera individual uma mudança de hábito se faz necessária. E de forma urgente. As grandes barreiras a vencer, em minha experiência na tentativa de utilizar um meio coletivo de transporte, foram o desconhecimento e o comodismo. Confesso que foram muitas as “desculpas verdadeiras” que surgiram em minha mente para desistir da ideia de deixar meu carro em casa para ir ao trabalho: desconhecimento dos horários dos ônibus em meu bairro, maior demora para chegar ao trabalho, o calor que enfrentaria neste período de seca em Brasília, apenas para citar algumas.

Posso dizer que a experiência pessoal que tive nem foi tão negativa como imaginava. Mas tenho consciência, também, que a realidade em outras áreas do Distrito Federal pode ser bem mais crítica do que a do Plano Piloto. É preciso conferir.

Manifesto do Dia Mundial sem Carro: http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/miltonjung/2009/09/22/manifesto-do-dia-mundial-sem-carro/

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