reuters

As agendas global e nacional estiveram bastante movimentadas nesses últimos dias. Assistimos à derrubada do regime ditatorial e corrupto no Egito. A Líbia, grande produtora de petróleo, está em convulsão política. Acompanhamos chocados e perplexos as tragédias múltiplas no Japão – terremoto, tsunami e as explosões nucleares que se seguiram. O Brasil possui laços fortes com o Japão, em função da grande comunidade de descendentes que aqui se formou. Por isso, nós, brasileiros, encaramos com especial atenção os desdobramentos dessa terrível situação que já é considerada o terceiro mais extremo desastre natural desde 1900, com estimativa de mais de 20 mil mortos e com consequências ambientais ainda não completamente delineadas.

Por aqui, a visita oficial do presidente americano, Barack Obama, neste final de semana, ocupou a atenção de lideranças políticas e empresariais, da sociedade e da mídia em geral. Mais do que a curiosidade natural sobre a presença de um líder carismático – e cuja trajetória pessoal é admirável – queríamos ler as entrelinhas do seu discurso. Dada a importância histórica das relações geopolíticas e comerciais com os Estados Unidos, queríamos entender que mudanças e em quais direções sua vinda estaria sinalizando.

Ficou explícito o interesse americano em aproveitar comercialmente, no presente e no futuro, os efeitos do crescimento da nossa economia, do mercado doméstico e as oportunidades oferecidas pelo grande e diversificado potencial energético brasileiro. Sem falar no reconhecimento da nossa trajetória como democracia. Ao final e ao cabo, porém, olhando para esses eventos tão diversos de uma forma articulada, fica a minha percepção de que o Brasil não está mais no “banco de reserva”, para usar a tão comum metáfora futebolística.

Estamos saindo da periferia política, econômica e cultural. Começo a perceber que – muito mais do que apenas ouvir – nós também estamos aos poucos conquistando o direito de sermos ouvidos e jogarmos o jogo. O mundo se encontra bem no meio de uma crise ambiental, política, econômica e social ilustrada pelos eventos diversos que aqui abordei de forma muito superficial. Temos a oportunidade histórica de assumir um papel de maior liderança – quem sabe protagonizando soluções que apontem para uma sociedade mais justa e mais sustentável e, portanto, mais promissora – nessa arena global.

Anúncios