orlando junior - vc reporter

O primeiro post deste ano – infelizmente – repete o tema do primeiro post do ano passado. Chuvas, enchentes, quedas de barreiras, desabamentos,  e, o pior, centenas de vidas humanas destroçadas.  Há anos o problema acontece na mesma época em São Paulo, no Rio e há notícias sobre tragédias semelhantes em outros estados brasileiros.

Um aspecto pouco explorado pela mídia, entretanto, mas de grande impacto econômico e social, é como são afetados os milhares de pequenos negócios que constituem a base de sustentação da economia local nas comunidades atingidas. Em geral, da mesma forma que a população pobre é a mais vulnerável a esses desastres, são também afetados de forma mais drástica os negócios locais, que já operam em condições restritivas.

Acompanhei um pouco do drama vivido pelos pequenos negócios atingidos pelas enchentes em Alagoas e Pernambuco em 2010. Pude constatar sonhos de empreendedores dos dois estados indo literalmente por água abaixo, deixando um saldo de desemprego, perdas materiais e grande frustração. No meio de toda a tragédia, alguns negócios chegaram a morrer antes mesmo de serem abertos porque os investimentos no ponto, na compra de mercadorias e de equipamentos foram todos perdidos.

Agora, a tragédia se repete e, no meio das águas, empreendedores como esse em Franco da Rocha, São Paulo, que vocês vêem na foto deste post, tentam salvar heroicamente suas mercadorias, buscando assegurar a continuidade de sua fonte de subsistência.

Basta um pouco de bom senso para perceber que a extensão, a gravidade e, principalmente, a recorrência das tragédias ocasionadas pelas chuvas de 2011, 2010, 2009, 2008 e de todos os anos anteriores, não são causadas apenas por “desastres naturais”, mas sim pela falta de adequado planejamento ambiental nas áreas urbanas e de políticas que permitam preveni-los de forma adequada.

Quando os governos – de fato – assumirão um compromisso de adotar não só medidas emergenciais mas as que interfiram sobre as causas desses problemas, de modo a reverter esse triste círculo vicioso que se repete a cada ano e que afeta não só a população em geral mas os empreendedores dos pequenos negócios brasileiros? E quando os empreendedores e a sociedade se organizarão para valer para cobrar, acompanhar e contribuir para as necessárias mudanças?

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