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A estratégia de crescimento econômico adotada pelo Governo Brasileiro vem colocando o consumo como mola-mestra de todo o processo. Especialistas advertem, no entanto, para a necessidade de elevar consideravelmente o nível de investimentos públicos e privados. São eles que indicarão qual o futuro que queremos construir – e que permitirão que a nova classe média emergente tenha assegurado, em longo prazo, o padrão de vida conquistado.

Assim como organizações, países também necessitam elaborar cenários, desenvolver sua visão de futuro e traçar a estratégia para se chegar lá. É este o caminho que indicará se vamos construir algo sustentável para a sociedade brasileira. Os investimentos mostram onde estamos apostando nossas fichas. São esses mesmos investimentos que permitirão também que a parcela da sociedade ainda excluída – não nos esqueçamos que 29% da população brasileira ainda vive em pobreza absoluta – seja partícipe desse processo. (http://veja.abril.com.br/noticia/economia/brasil-deve-eliminar-pobreza-extrema-ate-2016)

Esses investimentos precisam ser direcionados tanto para a infraestrutura física como, principalmente, para a humana.

Na infraestrutura física faltam estradas, portos, enfim, a logística necessária para um país que tem a perspectiva de se tornar um “player global” na economia pós-industrial, com voz e vez no conserto das nações.

Não sou eu que estou falando. É a conclusão de um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea: Portos Brasileiros: Diagnóstico, Políticas e Perspectivas, divulgado em maio deste ano. As obras do PAC, por exemplo, representam um esforço para compensar os atrasos do passado. E não cobrem sequer um quarto do valor necessário para atender as demandas avaliadas como necessárias para comportar o volume de transporte de cargas no país e de transporte de mercadorias a serem exportadas. http://www.nominuto.com/economia-turismo/economia-turismo/brasil-corre-risco-de-apagao-logistico-por-falta-de-investimento-em-portos/53008/

Na infraestrutura humana, a grande urgência está na educação. Corremos o risco de sofrer um “apagão” em áreas estratégicas emergentes de conhecimento, fundamentadas na pesquisa científica, em inovação e em tecnologia, como biotecnologia, energia, aproveitamento da biodiversidade, engenharia de software, dentre outras. Delas nascerão as ocupações do futuro, os chamados empregos verdes, e também as novas demandas por bens e serviços que empreendedores de olho em oportunidades poderão explorar.

É preciso olhar também para a formação dos mais jovens. Segundo a publicação Juventude e Políticas Sociais no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, é crucial elevar a qualidade do ensino fundamental, especialmente para tornar mais efetivo o processo de alfabetização nas séries iniciais, reduzindo a incidência do analfabetismo entre jovens. Outro aspecto importante é que a situação educacional dos jovens brasileiros ainda pode ser muito melhorada, com ampliação da oferta de educação profissional técnica.

Todos os candidatos a presidente falaram em propostas nessa área. Teremos agora, com a nova presidente eleita que governará o país nos próximos quatro anos, o necessário sentido de urgência para promover uma mudança no patamar e no foco dos investimentos públicos? Definimos o nosso projeto, a nossa ambição para o futuro com clareza? Não é tarefa trivial… Só com investimentos adequados para o tamanho dos desafios que enfrentamos e na direção certa teremos um crescimento sustentado – e sustentável.

Nem só de consumo vive o homem, parafraseando o dizer bíblico. É preciso olhar para o futuro. E investir para que ele se concretize.

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