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Muito se tem falado sobre a ascensão das classes C, D e E ao mercado de consumo nacional. A classe C sozinha, chamada de nova classe média, já representa mais da metade da população brasileira. É animador, sem dúvida alguma, poder participar deste momento histórico do país em que as desigualdades sociais estão diminuindo de forma mais evidente.

Do ponto de vista mercadológico, notícias e estudos vão mostrando a dimensão econômica desse fenômeno. O IBOPE Mídia, por exemplo, lançou um estudo interessante com a caracterização do segmento: Classe C Urbana do Brasil: Somos Iguais, Somos Diferentes. http://www.ibope.com/maximidia2010/

O surgimento dessa nova classe média está representando uma revolução nos modelos de negócios das empresas com uma onda de novos produtos e serviços desenhados para atender essa ampla e ainda pouco explorada fatia do mercado. Além de um novo segmento de consumidores, é importante lembrar que surge também uma nova classe empreendedora. A formalização do Empreendedor Individual, já abordada em outros posts no blog, representa mais uma alavanca nesse processo de inclusão social e econômica.

A classe C consome tudo o que pode – e da forma como pode – dos equipamentos eletrodomésticos aos automóveis e imóveis, e muita, muita tecnologia. Os consumidores desse segmento são ávidos por computador e TV paga. Debutam também no acesso à banda larga e ao primeiro celular 3G. Acessam a Internet e participam ativamente das redes sociais.

Visto pela ótica mercadológica, melhor impossível. Fornecedores de bens e serviços querem apenas decifrar as aspirações, necessidades e hábitos dessa classe emergente para atingir um mercado de consumo promissor. Enfim, o nome do jogo é “consumo, consumo, consumo”.

Esse fetiche do consumo que estamos assistindo no país parece transformar o “mercado” no grande palco de inclusão sócio-simbólica das classes sociais urbanas de menor renda. É a cidadania “fast-food”, que faz as pessoas se perceberem incluídas na sociedade pelo poder de compra que possuem. Queremos ser os “Estados Unidos da América” dos trópicos, indo na contramão do futuro?! Queremos replicar essa lógica?

Cresce a consciência de que mantidos os padrões atuais de consumo no mundo, chegaremos a um esgotamento dos recursos naturais do planeta. Esse modelo consumista desenfreado não é sustentável.

As mudanças culturais necessárias para uma maior consciência do consumidor em prol da sustentabilidade precisam focalizar a nova classe média, recém-chegada ao mundo do consumo. É preciso educar esse consumidor, politizando-o quanto as suas escolhas e a novas formas de consumir. É tarefa para muitos atores. Algumas instituições, como o Instituto Akatu de Consumo Consciente, já começaram. Quem mais se habilita?

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