ap photo/william faulkner

Susana Martinez (foto), 51 anos, é promotora de justiça e acaba de ser eleita a primeira governadora latina da história dos Estados Unidos da América. Pela terceira vez na história americana em que uma mulher competiu apenas com outra mulher como candidata, venceu pelo Partido Republicano e governará o estado do Novo México.

Por que dar destaque a essa notícia? Nada mais oportuno do que, ainda sob o efeito da vitória de Dilma Rousseff como a primeira mulher eleita presidente no Brasil, olhar a questão da igualdade de gênero no país. Estávamos em pleno segundo turno das Eleições 2010 quando foram divulgados dois estudos importantes sobre a questão de igualdade de gênero no mundo.

O primeiro é o estudo “As Mulheres do Mundo 2010”, da Organização das Nações Unidas (ONU). Os dados do estudo mostram avanços globais nos setores de educação e trabalho entre os anos de 1990 e 2007, com aumento da taxa de meninas em idade escolar matriculadas na escola primária – de 79% para 86% – e de maior taxa de participação no mercado de trabalho – com salários passando de 70% a 90% dos recebidos pelos homens. Todavia, é na área “poder e tomada de decisão” que o estudo da ONU indica a menor evolução, com mulheres ocupando posições de chefe de estado ou de governo ou ainda com presença relevante em parlamentos.

O quadro não foi muito diferente no caso dos resultados do segundo estudo, do Fórum Econômico Mundial, apresentados no relatório anual “Global Gender Gap Report 2010” ou “Índice Global da Igualdade de Gênero”, com avaliação de 134 países: http://www.weforum.org/pdf/gendergap/rankings2010.pdf

Classificando o tamanho das diferenças entre homens e mulheres em quatro áreas (participação econômica e oportunidade; realização educacional; fortalecimento político; e saúde e sobrevivência), a questão da participação política se revela como o grande “calcanhar de Aquiles” para o posicionamento no ranking.

Por que citar a primeira latina eleita nos Estados Unidos neste post? Porque, segundo o ranking do Fórum Econômico Mundial, os Estados Unidos pela primeira vez passaram a integrar a lista dos 20 países com maior índice de igualdade, subindo 12 posições devido ao aumento do número de mulheres em cargos de liderança na administração pública e às melhorias na desigualdade salarial.

Já o Brasil, segundo o estudo do Fórum Econômico Mundial, ocupa a 85ª posição entre os 134 países analisados e vem perdendo posições nos últimos anos. A questão mais crítica no caso brasileiro é a subrrepresentação política das mulheres, pois nas áreas de educação e saúde o país pontua quase o máximo no ranking: http://www.weforum.org/pdf/gendergap2010/Brazil.pdf

As estatísticas das Eleições 2010 indicam que o Brasil mantém o percentual de 8,77% de deputadas na Câmara Federal e aumenta um pouco a representatividade de mulheres nas Assembléias Legislativas e Câmara Distrital, passando de 11,72% para 12,84%.

É preciso mudar esse quadro de forma mais significativa. Não será às vésperas das próximas eleições no Brasil que iremos dar passos para uma transformação mais estrutural. É preciso começar já. Uma das questões críticas, em minha visão, é o estímulo a projetos para formação política de lideranças femininas, quer sejam empresariais, de categorias profissionais ou comunitárias.

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