vanderlei almeida/AFP 

Ao término do pleito 2010, faço um balanço pessoal e sucinto das eleições.

As boas notícias:

  • Lei da Ficha Limpa resgata cidadania e expurga personagens viciados da cena política. Conquista da sociedade civil!
  • Participação de duas mulheres em condições de disputa no pleito presidencial 2010 representa um fato histórico importante.
  • A sustentabilidade se insere definitivamente como tema de interesse nacional.
  • Marina Silva foi a grande e positiva novidade das eleições 2010. Resgata a esperança dos brasileiros de que é possível fazer política de forma diferente. Sinaliza a importância de pensar o futuro do país na perspectiva da sustentabilidade. Apenas Marina apresentou um programa de governo para presidente na campanha 2010.
  • Interesse de jovens e crianças pela política, despertado em grande parte pela candidatura da Marina.
  • Existência do segundo turno foi muito boa para o país. Mostrou que a democracia e o poder emanam do povo.
  • País demonstra sua complexidade e o esgotamento da polaridade PT X PSDB.
  • No DF, a população demonstrou que, tanto no primeiro como no segundo turno, não se deixou envolver por manobras explicitamente eleitoreiras.
  • Maturidade da democracia brasileira. Estamos avançando. O Dr. Ulysses, o Senhor Diretas Já, deve estar feliz…
  • Por fim, mas não menos importante, a ascensão da primeira mulher brasileira à presidência – Dilma Rousseff – é fato que merece registro.

As más notícias:

  • Dois candidatos preferenciais à presidência – Dilma e Serra – não apresentaram programa de governo. Isto é inacreditável, em se tratando do plano de uma nação poderosa, emergente e que deseja ser líder no cenário global. Não se tem clareza de como o país será conduzido daqui para frente.
  • Debates engessados impediram discussão mais aprofundada de temas políticos e estratégicos.
  • Nível da campanha do segundo turno foi péssimo e frustrou a todos.
  • Envolvimento partidário de pastores e padres declarando apoios e tentando influir nos votos de fiéis nas eleições foi vergonhoso. Uso indevido da questão religiosa buscando produzir votos de cabresto.
  • Discussão de temas estratégicos deixou (muito) a desejar.
  • Discussão religiosa – e equivocada – de temas importantes como o aborto.
  • Tentativa de inibir a ação da imprensa.
  • Incapacidade da justiça brasileira em dar curso a decisões em tempo hábil tumultuou o processo eleitoral.
  • Somente duas mulheres – Roseana Sarney (MA) e Rosalba Ciarlini (RN) – comandarão estados do país, sendo o número de eleitas menor que nas eleições de 2006, em três.  Apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a percorrer…
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