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A sociedade brasileira alcançou, com a sanção da Lei Ficha Limpa e, agora, com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a sua aplicabilidade para estas eleições, a conquista de uma reinvindicação que mobilizou amplas instâncias da sociedade civil. Abracei esse movimento desde o seu início (ver “causas que defendo” no blog).

Agora, com essa vitória, partidos são obrigados a rever suas articulações e alianças, tendo em vista as mudanças  vislumbradas no cenário político em todo o país. Esse processo implicará também em uma maior atenção na indicação de candidatos aos cargos eletivos. Ou seja, o Ficha Limpa já começa a influir em 2010, de uma maneira mais concreta, na forma de se fazer política neste país.

Já em 2008, uma pesquisa nacional do DataSenado mostrou que 86% dos entrevistados eram contrários à candidatura de pessoas que  respondiam a processo judicial por ações de improbidade administrativa e eleitoral e que uma parcela ainda maior – 88% – mudaria o voto se tomasse conhecimento de que o candidato integrava alguma lista dessa natureza. Finalmente, uma pesquisa realizada em maio deste ano pela mesma instituição confirma que 85% dos brasileiros manifesta interesse pela política.

É difícil avaliar neste momento a magnitude das mudanças que estão ocorrendo. Só a história dirá. Mas, de qualquer forma, precisamos celebrar esse mobilização vitoriosa da sociedade que fortalece e aperfeiçoa a democracia brasileira, que sinaliza a diminuição da aparente apatia política da população. 

Termino este post com o texto, que vale a pena revisitar, de Bertolt Brecht (1898-1956), poeta, escritor e dramaturgo marxista alemão: O Analfabeto Político.

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

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