angelo mello flickr

Estudo recente da ONU indica que vários ecossistemas no mundo podem estar próximos de sofrer mudanças irreversíveis, o que se convencionou chamar de “ponto sem volta”, a partir do qual entrariam em ciclo de desaparecimento: Global Biodiversity Outlook – GBO-3: http://gbo3.cbd.int/the-outlook/gbo3/foreword/foreword-by-the-united-. aspx.

O relatório destaca que a Amazônia brasileira é um dos ecossistemas que podem atingir o chamado “ponto sem volta” até 2025, mantido o atual plano de controle de desmatamento. Sobre o Cerrado brasileiro, o estudo indica que mais da metade já foi substituído por pasto (criação de gado) ou plantações (soja), e que no período 2002-2008 perdeu 14.000 km2 anualmente, superior à taxa da Amazônia.

Na mesma direção, estudos da Conservation International – Brasil indicam que o desmatamento do Cerrado é alarmante, chegando a 1,5% ou três milhões de hectares/ano, equivalendo a 2,6 campos de futebol/minuto! Nesse ritmo, pesquisadores alertam que o bioma corre o risco de desaparecer até 2030.

O grande potencial econômico e social da megadiversidade brasileira permanece praticamente intocado. Faltam políticas e investimentos públicos maciços em pesquisa básica e em desenvolvimento de tecnologias, patentes e produtos nas mais variadas indústrias, desde alimentos, cosméticos, farmacêuticos, dentre outras.

A megadiversidade precisa ser não só preservada, mas também encarada como oportunidade, tanto para a geração de conhecimento científico e tecnológico quanto para o fomento a negócios sustentáveis. Pequenas empresas locais podem ser capacitadas para inserção em cadeias produtivas globais, com isso gerando os chamados empregos verdes.

Numa visão de futuro, estamos correndo o risco de perder o “bonde da história”. É preciso maior senso de urgência.

Anúncios