leonardo bello

Será celebrado no próximo sábado, 22 de maio, o Dia Internacional da Biodiversidade, no ano instituído pela UNESCO para comemorar o tema ao redor do mundo.

Segundo o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, “Muitas economias continuam cegas ao enorme valor da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida e ao seu papel no funcionamento de ecossistemas saudáveis”. A ONU calcula que a perda anual de florestas, até este momento, custa entre US$ 2 trilhões e US$ 5 trilhões, número muito maior que os prejuízos causados pela recente crise econômica mundial.

O Brasil é país campeão em megadiversidade. Possui uma das mais ricas biodiversidades do planeta, utilizando-se um conceito introduzido pelo primatólogo e presidente da Ong Conservation International, Russell Mittermeier. Integra o G-17 (Brasil, Colômbia, México, Venezuela, Equador, Peru e Estados Unidos, África do Sul, Madagascar, República Democrática do Congo (ex-Zaire), Indonésia, China, Papua Nova Guiné, Índia, Malásia, Filipinas e Austrália), grupo de países que possuem o número mais elevado de plantas e espécies endêmicas que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar.

Apesar dessa condição privilegiada, a megadiversidade brasileira está em risco em diversos ecossistemas e ameaça a economia nacional. Nesse contexto, alterações na legislação, com a revisão do texto do Código Florestal Brasileiro (Lei Federal no 4.771), vem sendo objeto de muitos embates e polêmicas. Essas mudanças poderão afetar diretamente a preservação de áreas de florestas e cerrados do país. Estão em discussão questões como a flexibilização do percentual de reserva legal, a anistia a crimes ambientais, transferência de questões da competência da União para as esferas estaduais, dentre outras. Visões bastante divergentes, de ruralistas, ambientalistas e trabalhadores rurais, estão em jogo. É preciso acompanhar.

A megadiversidade brasileira precisa ser mais conhecida e reconhecida por todos nós: nas escolas, nas comunidades, na mídia. Não é assunto só para “ecologistas”. Seu potencial econômico deveria ser explorado de forma sustentável, gerando oportunidades de novos negócios e geração dos chamados empregos verdes. No entanto, não se protege aquilo que não se conhece e atribui valor. No próximo post vou falar um pouco mais sobre o assunto, destacando dois ecossistemas brasileiros: a Amazônia e o Cerrado.

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