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Para sempre

Carlos Drummond de Andrade

“Por que Deus permite que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.

Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade.

Por que Deus se lembra – mistério profundo – de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.”

Minha mãe, para sempre.

Dedico o poema de Drummond à minha mãe Joserita Pires Rossiter, mulher cristã, sábia, exemplo de integridade, amor e dedicação à família e ao próximo. Ela foi, sem dúvida, minha primeira “professora” de amor. Em nome dela homenageio, também, todas as mães – as avós, que já partiram, as tias, primas, amigas, colegas de trabalho, vizinhas – enfim, aquelas com quem tive ou tenho o privilégio de compartilhar e aprender o ofício de ser mãe. 

arquivo pessoal

Aos setenta e sete anos, acho que a “criança” que existe dentro dela está muito bem preservada, o que a mantém sempre curiosa pelas novidades e desafios que a vida traz. Seu sorriso largo, sua generosidade e a capacidade de sonhar e realizar sempre estiveram presentes – até hoje – em nossas vidas. O interesse pela descoberta deve ter sido o que a motivou a deixar a vida de dona de casa em tempo integral e voltar a estudar, depois dos quarenta anos de idade, com os dois filhos já crescidos. Naquele momento, ela pode realizar o sonho de cursar a faculdade de filosofia e, depois, na sequencia, concluir graduação em mais duas áreas: teologia e pedagogia.

Ela foi uma das precursoras do trabalho da Visão Mundial no Nordeste do Brasil, organização não-governamental  voltada ao desenvolvimento e ajuda, que serve a mais de 70 milhões de pessoas em aproximadamente 100 países. Liderou a criação, em 1975, do Projeto Vietnam, ajudando a transformar a vida de centenas de crianças e suas famílias na favela de mesmo nome, no Recife. Desde então, ao longo de quase trinta anos de atuação, ela coordenou ações e antecipou inovações, hoje consolidadas, para a promoção humana, educação e profissionalização, mediante parcerias e convênios com entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, atraindo interesse para causas muito nobres.

Ela é uma grande inspiração para mim. Obrigada por tudo, minha mãe, para sempre!

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