raissa rossiter  

Não, as fotos deste post não retratam nenhum processo de desmatamento ou destruição da Amazônia! Muito pelo contrário. O que ouvi do Prof. Dr. Cláudio Conde (foto), Diretor de Inovação e Transferência de Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Pará – SEDECT, na recente visita técnica que fiz às obras do Ceamazon – Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia, a ser inaugurado agora em março, como uma primeira etapa do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, Pará, parece indicar exatamente a construção de um caminho virtuoso. 

Instalado numa área de 72 hectares no Campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), o PCT Guamá, fruto de uma parceria entre o Governo do Estado do Pará, a UFPA e a FINEP, busca o desenvolvimento sustentável da região, por meio da valorização dos recursos naturais sem a degradação do meio ambiente. A proposta é combinar ciência, pesquisa e inovação para o desenvolvimento de produtos e serviços de alto valor agregado. Acredito que há um grande potencial para que os pequenos negócios do estado e da região se beneficiem. A população local também. De imediato, o Ceamazon já poderá beneficiar com projetos de eficiência energética empreendimentos de pequeno porte em setores tais como panificadoras e fábricas ligadas à cerâmica. O Sebrae no Pará é uma das entidades envolvidas no processo.

Está previsto também que grandes multinacionais brasileiras, como a Vale, instalem laboratórios tecnológicos no local. Empresas paraenses, como a Chamma da Amazônia, que elabora produtos de perfumaria, higiene e cosméticos utilizando matérias-primas extraídas na região, fundamentada em uma filosofia de preservação da natureza e no respeito às comunidades locais, também planejam ter operações no parque.

Obviamente, é cedo para falar de resultados. As obras ainda se encontram em curso. Após concluído o lado “tangível” do empreendimento, resta a parte mais desafiadora e de médio e longo prazos: atração de investimentos que criem oportunidades de emprego e, ao mesmo tempo, não desperdicem a capacidade empreendedora local, engajamento da comunidade acadêmica e empresarial local no processo, continuidade dos investimentos governamentais ao projeto, dentre tantos outros aspectos. Tudo isso precisará ser muito bem orquestrado entre os diversos atores envolvidos nesta iniciativa, evitando erros de projetos similares que partem de uma concepção e modelo institucional arrojados, mas deixam a desejar em sua implementação, monitoramento e gestão.

De qualquer forma, é animador ouvir de dirigentes da área de ciência e tecnologia do estado do Pará uma proposta como esta, que encara a Amazônia como uma plataforma para a viabilização de oportunidades empreendedoras sustentáveis.

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