stock.xchng

Ano em que a pílula anticoncepcional completará 50 anos, desde sua aprovação para utilização inicial nos Estados Unidos em 1960, 2010 chega com algumas notícias que confirmam a força da mulher. Nos Estados Unidos, as mulheres alcançaram em outubro de 2009 a marca de 49,9% da mão de obra ocupada naquele país. O Observatório Brasil da Igualdade de Gênero: http://www.observatoriodegenero.gov.br/ prevê que em dez anos provavelmente haverá mais mulheres que homens no mercado de trabalho brasileiro. 

Na esteira dessas mudanças, com o tema geral “Direitos Iguais, Oportunidades Iguais: Progresso para Todos”, será comemorado em 08 de março, no mundo todo, mais um Dia Internacional da Mulher. Este será também um ano marcante para nós brasileiras. Temos o que comemorar? Sem dúvida. São muitas as conquistas.

Em 2009, a ampliação da licença-maternidade de 4 para 6 meses foi aprovada no país. Dados do IBGE mostram que no Brasil as mulheres mais escolarizadas estão ampliando participação no mercado do trabalho. No ano passado, entre todas as mulheres efetivamente trabalhando, 62,1% possuiam 11 anos ou mais de estudo, ao passo que esse percentual de anos de escolaridade alcançou 53,7% entre os homens. O estudo tem sido, sem dúvida, uma grande alavanca para a conquista de espaços pelas mulheres. Entretanto, apesar da maior escolaridade feminina, mulheres com curso superior ainda ganham 62,5% do salário dos homens no Brasil.

A expressão da língua inglesa “glass ceiling” – em tradução livre, “teto de vidro” – sempre me impressionou pela precisão com que consegue transmitir a barreira discriminatória invisível que dificulta a mulheres no mundo todo ascenderem a posições de responsabilidade e comando, muito embora não haja leis ou regras explícitas que as impeçam de alcançá-lo. Agora surge a expressão “fronteira de vidro”, significando a dificuldade que mulheres executivas enfrentam na economia global para galgar posições de trabalho no exterior.

Ainda são grandes os desafios para que o lema do Dia Internacional da Mulher em 2010 se transforme em realidade. No Brasil, estamos na “primeira infância” de políticas de Estado direcionadas a reduzir as desigualdades de gênero em campos como mercado de trabalho, educação, saúde, fecundidade, estrutura familiar, dentre outros. Nos espaços de poder e decisão, como em cargos de direção, as mulheres ainda estão sub-representadas. Também nesta esfera as mudanças estão ocorrendo: pela primeira vez na história deste país temos um cenário em que pelo menos duas mulheres são pré-candidatas à Presidência da República. Este poderá ser um marco na participação das mulheres na política e, por consequência, na sociedade brasileira.

Anúncios