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Fevereiro chega ao final com um saldo de eventos marcantes no país. Talvez o maior deles, em minha opinião, seja a implosão do governo Arruda, a partir da Operação Caixa de Pandora deflagrada há três meses atrás, em 27 de novembro de 2009. Arruda guarda agora mais um infeliz registro na sua carreira política: foi o primeiro governador do país preso no exercício do mandato.

Não está ficando pedra sobre pedra: Executivo, Legislativo e o Tribunal de Contas do DF foram abalados. Antigos aliados federais e distritais lavaram as mãos ou bateram em revoada. A situação não é boa para o Distrito Federal, exatamente no ano em que Brasília, a capital federal, comemora seus 50 anos. Não é boa, enfim, para ninguém. Mas, pelo menos a impunidade não está sendo a marca registrada, até aqui, deste escândalo. Se não, vejamos o saldo da operação em 27 de fevereiro:  governador Arruda (DEM) afastado e preso em cela da Polícia Federal; Vice-governador Paulo Octávio (DEM) renunciou; o presidente da Câmara Legislativa do GDF, Leonardo Prudente (DEM), o “homem das vestimentas”, deixou o cargo e renunciou ao mandato; um já está preso na Papuda, o Geraldo Naves (DEM) e outros mais, como  a deputada Eurides Brito (PMDB) e Brunelli (DEM), também estão em situação bastante difícil.

A sociedade se indignou e clamou, a OAB – Nacional e DF – exerceu seu papel nessa cruzada contra a corrupção, os estudantes fizeram pressão e muito barulho, a mídia deu ampla cobertura, apesar de alguns jornais locais terem se calado inicialmente, e a farra – pelos menos esta – parece ter chegado ao fim. O remédio para essa crise certamente será amargo, e, mais uma vez, o preço a ser pago será compartilhado pela população, sentindo os impactos políticos, institucionais, econômicos e administrativos que advirão para o Distrito Federal. Esses tristes acontecimentos, por outro lado, podem servir como um poderoso instrumento para o aprendizado da cidadania e a participação mais atenta e informada nas decisões da sociedade.

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