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Chamou-me atenção o artigo assinado por Amaury de Souza e Bolívar Lamounier, doutores em ciência política, no Estadão.com.br (http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,em-busca-da-melhoria-sustentavel,507613,0.htm), que apresenta os principais achados do estudo “A Classe Média Brasileira – Ambições, Valores e Projetos de Sociedade”, de autoria de ambos, a ser lançado nos próximos dias. 

O estudo traz aspectos importantes para a  reflexão sobre a sustentabilidade da emergente classe média no Brasil, já que a redução da desigualdade nos últimos anos, revelada pelo ingresso de cerca de 26 milhões de brasileiros na Classe C no período 2003-2008, foi amplamente reconhecida como um dos mais significativos avanços sociais ocorridos no país. Estudos como os do Centro de Políticas Sociais da FGV demostraram o incremento da renda advinda do trabalho nos últimos cinco anos, correspondendo a 76% da renda média percebida pelo brasileiro. 

No entanto, os resultados desse novo estudo, que ainda precisam ser devidamente esmiuçados, apontam que é alta a proporção da classe C que olha com ansiedade para o futuro, temendo perder o perfil de consumo atual pela falta de trabalho, pela perda do emprego ou pela liquidação do negócio próprio. Tudo a ver com a questão do empreendedorismo e a necessidade de reforçar políticas públicas para reduzir a informalidade e apoiar os pequenos negócios, segmento responsável pelo saldo positivo de empregos formais gerados em 2009 no Brasil. No entanto, ao contrário do comportamento empreendedor tipicamente marcado pelo “locus de controle” interno e pela iniciativa própria, os entrevistados revelam-se mais dependentes das iniciativas governamentais. 

Finalmente, o estudo indica existir baixo capital social entre os entrevistados, com nível reduzido de associação em organizações de cunho social ou político. O estudo parece indicar que a numerosa classe média emergente brasileira, fruto da mobilidade social e das transformações significativas ocorridas em nosso país, traz demandas importantes, ainda não plenamente atendidas pelas instituições e pela sociedade, como um todo. Ao mesmo tempo, essa classe emergente se revela desarticulada e ainda frágil como agente de mudanças de valores culturais, sociais e políticos.

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