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Janeiro chegou ao final. Foi um mês intenso. Deixou muitas lições de casa e desafios: no Brasil, no Haiti, em todo o mundo. Os debates no Fórum Econômico Mundial 2010, em Davos, que acabou de terminar, marcando os 40 anos de sua organização, sinalizam que os problemas e as soluções estão se globalizando em escala crescente. Com o tema geral “Repensar, Redesenhar, Reconstruir”, o fórum deu continuidade às reflexões sobre as mudanças deflagradas a partir da crise financeira mundial em 2008/2009. Destacaria três questões globais emergentes na agenda de Davos 2010. 

Primeira, a questão da mulher. Uma causa relevante, como o fim da mutilação de genitálias de mulheres africanas, defendida por Julia Lalla-Maharajh (foto), ganhou uma votação entre os participantes do fórum como tema merecedor de atenção global. Julia lidera a campanha “End Female Genital Mutilation Now” (http://www.endfgmnow.org/). Paridade de gênero como uma prioridade estratégica foi outro tema relativo à questão da mulher debatido não por “feministas”, mas por CEOs e líderes globais. Olhando para as 500 maiores empresas integrantes do ranking da Fortune, apenas 2% são dirigidas por mulheres! Uma constatação é que as mulheres internalisam muitos estereótipos que as tornam relutantes em serem assertivas e expressarem suas ambições.

Segunda questão, a da sustentabilidade, pensada desde a Rio 92, passando pela COP 15, em Copenhagen, 2009, até a COP 16, no México. Os resultados da COP 15 foram discutidos, em seus aspectos positivos e negativos, como insumo para a reflexão sobre novas práticas e desafios na agenda global. Falou-se em “recuperação sustentável” da economia e sobre a necessidade de respostas colaborativas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, indicando a necessidade de uma visão mais responsável em relação ao futuro. Um futuro com soluções conectando a redução dos impactos das mudanças climáticas à eliminação da pobreza.

Terceira questão, a do maior protagonismo do Brasil, ao lado de outros países emergentes, como China, África do Sul, Índia, Coréia, dentre outros, na construção de novos modelos de desenvolvimento no século 21. Aumenta a importância do Brasil, sem dúvida, mas aumenta também a responsabilidade na forma como se posicionará nesse novo concerto global – envolvendo governos, empresas e sociedade – que aos poucos vai se desenhando. Estamos em ano de eleições gerais no Brasil. Um debate sobre essas questões emergentes será fundamental.

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