Duas mulheres que nunca se encontraram, mas com muito em comum… Ou seriam dezenas, centenas, milhares, milhões de mulheres com algo em comum? O filme Julie & Julia, com delicadeza, mostra a história de descoberta da culinária por duas mulheres americanas, Julia Child e Julie Powell, a primeira na casa dos 40 e a segunda  entrando nos trinta, separadas por meio século. 

Essas duas mulheres – Julia e Julie – empreenderam e alcançaram seus objetivos, nas suas circunstâncias históricas, lidando com suas forças e incertezas interiores.  Julia descobriu seu talento para a culinária, por acaso, aos 37 anos. Mulher de diplomata americano que servia em Paris,  foi aluna da Escola Cordon Bleu, tornando-se escritora do bestseller Mastering the Art of French Cooking e apresentadora de programa de TV que virou uma legenda nos Estados Unidos.  Julie também chegou lá: desafiou a si própria testando durante um ano as 524 receitas de Julia Child extraídas de seu famoso livro e publicando sua experiência em um blog que virou uma sensação. Ambas estavam muito comprometidas com o sucesso de seus projetos.

Mesmo tratando de gerações de mulheres que viveram circunstâncias históricas distintas no contexto americano, o filme faz um resgate de certa forma sociológico do significado da cozinha como um espaço social importante na vida da mulher, em ambos os casos.  Inclusive um espaço de protagonismo e oportunidade profissional, não somente de reconhecimento doméstico. Apesar de todo o destaque dado aos personagens femininos, o filme mostra, de forma igualmente delicada, o lugar especial dos maridos no sucesso alcançado por Julia e Julie.

Antes de conhecer a história encantadora de Julia Child contada neste filme, tive a oportunidade de visitar em 2007 o Smithsonian National Museum of American History e me deparar com a exibição da cozinha original de Julia Child, local onde ela durante anos ensinou – com humor e muita personalidade – gerações de americanos a apreciar a boa culinária. Agora fiquei com vontade de voltar lá! Existe um site que mostra o projeto da cozinha de Julia Child no museu americano:

http://americanhistory.si.edu/kitchen/index.htm

Somos muitas Julias e Julies neste século XXI, buscando ocupar, de forma diferenciada, o nosso espaço. Espaço que não queremos que seja conquistado à custa do distanciamento egoísta dos nossos maridos, filhos, amigos, enfim, dos que amamos. Buscamos empreender algo que, para além das receitas prontas aprendidas desde pequenas, nos faça vibrar, que nos insira na sociedade com um significado maior, mais pessoal, único e que nos dê senso de realização na vida. Algo que imprima a nossa marca no mundo – qualquer tamanho que tenha ele – permitindo exercitar nossos talentos e contribuição, quer seja na culinária, na música, no ensino, na política, no mundo executivo, na ciência ou no engajamento em causas sociais, dentre tantas outras possibilidades.

P.S. O prato da foto, um delicioso cassoulet, coincidentemente vem da culinária francesa e foi preparado e oferecido a nós em um almoço pela vizinha Rosane, em  21 de novembro de 2009.

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