CCM - UNB

Depois da minha passagem como Professora na área de Empreendedorismo e Inovação, voltei à UnB e tive uma ótima conversa com a Manuela, do Centro de Convivência de Mulheres – CCM. Fico sempre entusiasmada quando vejo a força de uma ação coletiva como esta, totalmente voltada para as questões vivenciadas pelas alunas. Conheci as demandas e ações que estão em andamento, fruto desse engajamento das meninas da universidade. Uma deles me chamou atenção, e já se tornou realidade: em alguns meses de vida, o CCM propôs e conquistou a implantação do Programa Auxílio-Creche da Universidade de Brasília (PACreche UnB) para mães e pais em situação de vulnerabilidade.

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coletivo da cidade - 2

Coletivo da Cidade – Estrutural (arquivo pessoal)

Brasília faz aniversário. Nesta data festiva, de seus 57 anos, há muito que se comemorar. Nossa declaração de amor à cidade se inspira em sua exuberância urbanística e estética, sua riqueza cultural, na presença de um cenário verde por toda parte, que encanta e colore nossos olhos, dentre outros. Tudo isso é motivo para nosso orgulho.

Mas, é claro, ainda há muito o que se aspirar, diante das suas contradições, disparidades sociais e desafios, como grande metrópole em que se transformou. Por isso, quero celebrar a cidade a partir das cidadãs e cidadãos que a reinventam diariamente, que protagonizam a construção de novos laços de colaboração e de participação da sociedade civil. Meu registro, então, é para a força da construção social coletiva nos muitos territórios de Brasília, que está viva e precisa ser reconhecida e valorizada.

Brasília nasceu voltada para o futuro, para a concretização de sonhos. É preciso que o seu legado para as próximas gerações seja forjado a partir das suas diversidades e das resistências democráticas.

de-maos-dadasHá muito, o 8 de Março deixou de ser um dia de defesa de direitos da população do sexo feminino e se transformou numa data para tratar de questões sob perspectiva de gênero, englobando raças, cores, idades, credos, com deficiência, mulheres trans, mulheres lésbicas, enfim, todas. Mas a igualdade de gênero está longe de ser alcançada.

É injustificável que, no século XXI, as brasileiras apresentem geralmente nível de escolaridade maior que o dos homens e recebam 29% menos (IBGE-2010) ou sejam preteridas em cargos de chefia, mesmo com qualificação superior à do escolhido. Essa realidade não traduz o potencial da mulher brasileira, que ousa, cria e empreende.

As mulheres são, por exemplo, a maioria (54%) entre os mais de 730 microempreendedores que obtiveram quase R$ 10 milhões em microcrédito, concedido pelo Governo de Brasília neste ano.  Em cursos da Fábrica Social (construção civil, produção de alimentos e outros), 80% dos inscritos são mulheres.

A promoção da autonomia financeira é também porta de saída de situações de vulnerabilidade social. Infelizmente, mulheres ainda são alvo de crimes e abusos – às vezes, pelo simples fato de serem mulheres. Os agressores não se intimidam sequer com a severa Lei Maria da Penha. Na capital do país, pelo menos uma mulher é vítima de violência doméstica por hora, são mais de 1.100 por mês, 13 mil por ano. E por mês uma delas sofre feminicídio – quando a morte é causada por conta do gênero.

A mulher vítima de violência conta com uma rede de apoio no DF: os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceam), os Núcleos de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVDs), as Casas Abrigo, as unidades móveis e a Casa da Mulher Brasileira. E, a partir de abril, um projeto piloto garantirá a 100 mulheres sob medida protetiva judicial acionar um “botão” de segurança e serem atendidas com urgência.

Priorizar o atendimento a mulheres, inseri-las no mercado de trabalho, promover políticas que evitem a violência doméstica e o feminicídio são essenciais para construir uma sociedade igualitária.

(*) Publicado originalmente em 08/03/2017 em www.metropoles.com/ponto-de-vista/vamos-lutar-por-uma-rede-de-protecao-para-as-mulheres-do-df

andré borges - agência brasília

andré borges – agência brasília

Em março, no período de 13 a 27, ocorrerá em Nova Iorque a 61a. Sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres. Neste ano, o tema central é o empoderamento econômico das mulheres no mundo do trabalho em transformação. Acredito que esta é uma questão fundamental para o pleno alcance dos direitos das mulheres e para que tenhamos um mundo com equidade de gênero para valer.

A trajetória de mulheres que alcançam empoderamento econômico começa muito antes, no entanto. Começa com meninas tendo acesso a educação de boa qualidade. E tem sustentação, principalmente para aquelas mulheres em situação de maior vulnerabilidade, com políticas sociais – dentre outras – como acesso a creches, onde possam deixar seus filhos em segurança. Continue lendo »

 

Mihaela Noroc

                                                             Mihaela Noroc

Um lugar arriscado para se nascer menina. Assim é classificado o Brasil, infelizmente, em um estudo recente da ONG Save the Children.

Indicadores como casamento antes dos 18 (35,6%), gravidez na adolescência (67.3 por mil nascidos vivos), mortalidade materna (44 por cem mil nascidos vivos), conclusão do estudo secundário (65% na escola até os 16) e representação das mulheres no Parlamento (9,9%) nos levaram a ocupar a 102ª posição em um ranking de 144 países listados entre os piores para as meninas.

Existem inúmeras barreiras para que as meninas brasileiras alcancem seu potencial pleno. Três são barreiras-chave segundo o estudo: casamento na infância; acesso restrito a serviços de qualidade em educação e saúde; e falta de participação de meninas nas esferas públicas e privadas. Um dos preditores mais fortes de melhoria de resultados de saúde de um país, por exemplo, é a conclusão de estudos secundários por garotas.

É preciso apoiar a maior participação de meninas como agentes de mudança. Precisamos romper esse ciclo de desigualdades que se perpetuam historicamente. Precisamos começar mais cedo a criar os espaços e mecanismos para engajamento e reconhecimento de meninas e meninos em ações cívicas e decisões da esfera pública. Esta pode ser uma estratégia importante para mudar esse quadro.

 

 

raissa rossiter

raissa rossiter

Neste final de semana, que marca o início da Semana do Meio Ambiente, desacelerei o ritmo para contemplar monumentos naturais, para ouvir sons, para desfrutar de uma natureza exuberante que se encontra bem perto de Brasília. Visitei o “Paraíso na Terra Reserva Ecológica”, espaço situado na Área de Proteção Ambiental de Cafuringa, englobando parte da Chapada da Contagem.

raissa rossiter

raissa rossiter

raissa rossiter

raissa rossiter

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raissa rossiter

O espaço “Paraíso na Terra” é administrado pelo Instituto Teosófico de Brasília, com uma estrutura de estética original, que oferece espaços para meditação, convivência e relaxamento, além de refeições vegetarianas com alimentos orgânicos cultivados em hortas próprias. O público visitante era quase todo formado por frequentadores habituais. Estávamos lá graças a um árduo trabalho de pesquisa de informações na Internet, não por referências de frequentadores.

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raissa rossiter

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raissa rossiter

raissa rossiter

raissa rossiter

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Priscila Rossiter Sperança Such

                                                            Priscila Rossiter Sperança Such

Inaugurada há 56 anos, Brasília não se estagnou. Continua sendo (re) construída. E esta é a esperança que anima não só seus habitantes, mas todos os brasileiros. Considerada um lugar diferenciado, em termos de elevados índices de qualidade de vida, concentra, por outro lado, os maiores índices de desigualdade do país.

Palco central da combalida política nacional, vem se diversificando culturalmente e se tornando um espaço de celebração da diversidade e de manifestações democráticas, até aqui, na sua grande maioria, pacíficas.

Neste aniversário da capital do país, precisamos lutar pelo seu fortalecimento como um espaço aberto e acolhedor, inovador e democrático.  Continuemos a construí-la como uma cidade agradável para se ver, conviver e sonhar uma vida mais justa e sustentável.

Paulo Whitaker - Reuters

Paulo Whitaker – Reuters

Vivemos em um mundo de muros e fronteiras. Após a queda do Muro de Berlim, 27 outros muros e cercas foram erguidos ao redor do mundo. As fronteiras marcam os limites, mas também conectam diferentes regiões nos territórios, simbólica ou literalmente. Os muros os separam. Podemos atravessar fronteiras; ir e vir.

Os muros nos impedem de ver e perceber o outro lado. Eles nos “protegem”, mantêm preservados o “poder” de nossas crenças, nossa “cultura”. Entretanto, nos impedem de ter acesso a perspectivas e valores diferentes. E o que é pior, eles nos empobrecem; representam as diferenças como ameaças instransponíveis. Continue lendo »

Mulheres_Maria Objetiva_CC BY-SA

Mulheres_Maria Objetiva_CC BY-SA

Após uma década de realização do ranking global sobre paridade de gênero elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa um incômodo 85º.  lugar na edição 2015 (http://reports.weforum.org/global-gender-gap-report-2015/economies/#economy=BRA), entre os 145 países pesquisados. Estamos muito distantes dos melhores posicionados no ranking, como Islândia, Noruega, Finlândia, Suécia e Irlanda, que eliminaram mais de 80% das suas disparidades de gênero.

Na América Latina, ficamos atrás da Bolívia, Barbados, Chile, Cuba, Equador, Argentina, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, dentre outros países.

Na avaliação, os pontos fortes do País estão na educação e na saúde. De fato, o Brasil está entre os únicos 10 países pesquisados (Austria, Bahamas, Brasil, França, Finlândia, Guiana, Letônia, Lesoto, Nicarágua, e Namíbia) que eliminaram 100% de disparidades em ambas as áreas. Como pontos fracos, porém, estão a participação econômica e o empoderamento político das mulheres brasileiras. Continue lendo »

priscila rossiter

                                                                       priscila rossiter

Finalmente, acabou o carnaval. O ano começa para valer. A economia, a política e, inevitavelmente, a situação de vida de grande parte dos brasileiros, estavam em compasso de espera. Parece incrível, mas é assim mesmo em nosso país.

Vamos encarar o ano. E, mais uma vez, nos agarrar na esperança de que conseguiremos ultrapassar os caminhos sombrios que ora atravessamos.

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